PF vai apurar mensalão de ex-governador

Polícia Federal diz que investigação de suposto esquema será isenta

Vannildo Mendes, O Estadao de S.Paulo

02 de novembro de 2007 | 00h00

O diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, informou ontem que a superintendência do órgão no Mato Grosso do Sul está sendo acionada pelo Ministério Público e vai investigar a fundo o mensalão do Zeca do PT, como é chamado o petista José Orcírio Miranda dos Santos, que governou o Estado de 1999 a 2006. Ele disse que a investigação será impessoal e nada vai interferir na autonomia do delegado que for designado para comandar o inquérito. "O que aparecer, nós vamos investigar. A denúncia surgiu e a nossa delegacia (no Estado) já está sendo acionada. Não há como interferir."O Ministério Público Estadual suspeita que o esquema, do qual Zeca seria o cabeça, tenha desviado cerca de R$ 30 milhões dos gastos com publicidade no segundo mandato para pagar o mensalão a políticos do Estado, entre os quais o senador Delcídio Amaral (PT-MS) e deputados petistas. O ex-governador, diz o MPE, teria exercido o papel mais importante na organização, que seria responsável por "grandioso esquema" de desvio de recursos do erário.Corrêa disse que a investigação terá seu curso normal. "Enquanto polícia judiciária, a PF raciocina sobre fatos e investiga fatos, não pessoas. Quando esses fatos revelam um nome, a gente investiga e pronto. Tudo o mais é secundário." DELCÍDIO NEGA"Jamais recebi, sob nenhum título, dinheiro ou qualquer outro tipo de benefício da administração Zeca do PT", reagiu o senador Delcídio Amaral, por meio de nota. "Visando restabelecer a verdade dos fatos determinei à minha assessoria que tomasse as medidas necessárias. É de conhecimento de todos as minhas divergências com o ex-governador, que levaram-me, inclusive, em determinada época, a considerar minha saída do Partido dos Trabalhadores."Delcídio assinalou que "não existe, nos autos do referido processo, qualquer referência à sua pessoa, com exceção de um manuscrito apócrifo apresentado à imprensa". Ele disse que "é absolutamente vazia de fundamento a ilação de que tenha sido beneficiado com recursos advindos da antiga administração estadual".O senador classificou a denúncia de "manobras oportunistas e mentirosas para envolver homens públicos idôneos que têm sido adotadas pelo país afora". "Indignado, rejeito com veemência este abominável episódio, que credito a mais uma entre as incontáveis tentativas de macularem minha honra, meu comportamento como senador por Mato Grosso do Sul, bem como minhas posições de independência adotadas no Congresso, especialmente ressaltadas na presidência da CPMI dos Correios, cujas investigações incomodaram e ainda incomodarão muitos."

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