PF usa georadar para tentar localizar arquivos do DOI-Codi

A Polícia Federal recorreu ao auxílio de um georadar, cedido pela Universidade de Brasília (UnB), para tentar localizar parte dos arquivos do DOI-Codi, que o ex-cabo do Exército, Valdete Miranda dos Santos, diz ter enterrado dentro do terreno da Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Desenvolvido na Itália, o equipamento tem a capacidade de "enxergar" através do solo até uma profundidade de três metros, varrendo uma área de 30 metros quadrados e produzindo imagens semelhantes às de um aparelho de tomografia computadorizada.A ajuda foi pedida após dois dias de buscas frustradas para encontrar o material, numa área de quatro metros quadrados apontada pelo ex-cabo. Ele se definiu como um torturador arrependido e contou detalhes de sua participação na repressão política em entrevista ao jornal Correio Braziliense. Pela descrição do ex-militar, os malotes, embalados em sacos de lixo e enterrados a um metro de profundidade, conteria documentos, fotos de pessoas torturadas - antes e depois dos suplícios - e dados sobre a repressão a inimigos do regime militar, incluindo os codinomes.Responsável pela guarda dos documentos sobre a atuação do DOI-Codi em Brasília, no período de 1982 a 1992, Valdete revelou, em depoimento ao Ministério Público, ter recebido ordens para incinerar todo o material, no final do governo Fernando Collor, mas alegou que, por falta de tempo, optou por enterrar tudo. O depoimento foi enviado ao secretário especial de Direitos Humanos, ministro Nilmário Miranda, que acionou a Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos.O governo, então, montou uma grande operação desde quarta-feira, na qual foram mobilizadas cerca de 20 pessoas, entre policiais, técnicos e servidores públicos, para tentar resgatar o material no terreno indicado. Se nada for encontrado até amanhã com a ajuda do georadar, as buscas serão interrompidas. O equipamento foi usado pela primeira vez no Brasil na zona leste de São Paulo, na avaliação de um sítio histórico urbano, o Sítio do Capão, no qual uma casa foi ocupada pelo padre Diogo Feijó, regente do Brasil de 1835 a 1837.Como qualquer radar, o equipamento emite sinais, que penetram no solo e retornam como eco, ao encontrar obstáculos. Assim, formam imagens de acordo com a resposta.

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