PF suspeita de governador de RO e procuradoria analisará caso

Filho de Ivo Cassol foi preso nesta segunda-feira durante a Operação Titanic, da Polícia Federal

Marcelo Auler, de O Estado de S. Paulo,

07 de abril de 2008 | 16h17

A procuradora da República Nádia Machado Botelho informou que cópias de toda a investigação da Operação Titanic, realizada pela Polícia Federal, foram remetidas à Procuradoria Geral da República em Brasília para análise da situação do governador de Rondônia, Ivo Cassol (sem partido). No momento, "não há elemento que indique a participação dele", afirmou em entrevista coletiva nesta segunda-feira, 7.   Veja também: PF prende filho do governador de Rondônia na Operação Titanic PF prende líder de esquema de fraudes na importação de carros   O filho do governador, Ivo Junior Cassol, foi preso nesta segunda por envolvimento com as fraudes na importação de veículos de alto luxo pela importadora TAG, junto com o sobrinho do governador, Alessandro Cassol Zabott e o ex-senador e atual suplente do senado, Mário Calixto Filho.   Durante um período de férias em janeiro deste ano o governador Ivo Cassol e o filho estavam no Rio de Janeiro com a família e tomaram café da manhã com um dos principais envolvidos na quadrilha presa. A informação foi confirmada por um dos advogados de Ivo Júnior, Guilherme Erse, que é genro do governador e também estava presente. Sobre esse encontro, ele disse que apenas tem conhecimento de que era uma negociação para comprar um veículo.   Guilherme definiu o episódio da prisão preventiva como "estar no local errado e na hora errada". O advogado França Guedes, que está à frente da defesa da família Cassol, embarcou para Vitória, para tomar mais conhecimento sobre as acusações a que respondem Ivo Júnior e o sobrinho do governador, Alessandro.   A defesa de Ivo Júnior acredita que a prisão será relaxada imediatamente após o primeiro depoimento. No entanto, não sabe dizer como os dois se conheceram, apenas se limitou a dizer que o filho do governador sempre participou de eventos de Fórmula 1, e que por isso, pode ter sido apresentado à ele. "Não tem como sair pedindo CPF de todo mundo que se faz uma negociação", disse Guilherme.   O advogado ainda criticou o trabalho da Polícia Federal. "É um absurdo que um advogado tenha que sair do Estado para ter conhecimento da prisão do cliente", disse. Na manhã de hoje, o governador Ivo Cassol esteve na sede da PF em Porto Velho, e negou a participação do filho em qualquer esquema criminoso.   Foragido   Ainda na coletiva, foi informado que o filho do empresário Antônio Oliveira Santos, presidente da Confederação Nacional do Comércio, é uma das duas pessoas procuradas pela operação que ainda não foram localizadas pela Polícia Federal. Antônio Oliveira Santos Júnior, mais conhecido no Espírito Santo como Baducho, teve a prisão temporária decretada por ter feito remessas ao exterior sem o conhecimento do Banco Central através de Adriano Scopel, proprietário da importadora de veículos TAG.   Segundo informações passadas pelo delegado Honazi de Paula Farias na entrevista coletiva ocorrida nesta tarde na Superintendência da Polícia Federal em Vitória, Baducho remeteu ao todo R$ 32.500 ao exterior em duas operações. Para isso, Adriano Scopel fraudou documentos de importação fazendo crer que o dinheiro enviado era para pagar os produtos importados. No total, a PF expediu 23 mandados de prisão temporária, dos quais 21 foram cumpridos.   Na mesma entrevista, as procuradoras Nádia Botelho e Luciana Furtado Moraes esclareceram que os mandados de prisão atingiram apenas três auditores das Receita Federal - dois do Espírito Santo e um de Rondônia. Contra a auditora Leisa Cristina Ortega Amaral não houve mandado de prisão, apenas de busca e apreensão.   Contudo, o marido dela, Max Pimentel de Almeida Marçal, também auditor, e que ocupava cargos de chefia justamente no setor de liberação de veículos importados, é um dos presos na operação.   Embora tenham dito que as prisões são temporárias e servem para aprofundar a investigação em torno dos presos, as duas procuradoras adiantaram que já possuem condição para denunciarem a maioria dos envolvidos.

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