PF segue três linhas de investigação sobre grampos, diz Tarso

O ministro da Justiça, TarsoGenro, afirmou na quinta-feira que a Polícia Federal adota trêslinhas de investigação para apurar o grampo telefônico ilegalsobre autoridades dos três poderes. A primeira hipótese, que Tarso chamou de "terceirização"considera a possibilidade de que algum agente da Abin tenhacontratado alguém da iniciativa privada para fazer o grampo. A segunda possibilidade em exame é o desvio de conduta deum funcionário da própria Abin, que teria agido como espião. Ea terceira linha de investigação é que alguém da agência tenhafeito contato externo para fazer alguma escuta "mediante coaçãoe chantagem ou para criar alguma instabilidade política". "O Luiz Fernando Corrêa (diretor-geral da PF) me deu umrelato completo e está trabalhando com essas trêspossibilidades num primeiro momento. Elas são as mais coerentespelo tipo de denúncia que houve e pela ousadia e petulância degrampear o presidente do Supremo", disse Tarso a jornalistas,após participar de seminário no BNDES. A Abin foi acusada de grampear conversa do ministro GilmarMendes, presidente do STF, com o senador Demóstenes Torres(DEM-GO), reproduzida pela revista Veja com base em informanteanônimo da própria agência. "A Polícia Federal vai usar toda tecnologia e experiênciapara chegar à conclusão de "quem fez, por que fez e para quefez o grampo", afirmou o ministro. PENAS SEVERAS Tarso Genro encaminhou nesta quinta-feira ao Planalto umanteprojeto de lei que cria penas mais severas para servidorespúblicos que fizerem uso ilegal de grampos ou vazareminformações. Além do processo criminal, o responsável porescutas ilegais responderá por improbidade administrativa. "Ele (anteprojeto) ajuda o Estado a combater o desvio deconduta interna mas também pune de maneira supletiva quemfavorece a divulgação do grampo externamente", defendeu Tarso. O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), deu aentender que não seriam necessárias novas leis, pois as já emvigor seriam suficientes para punir quem faz ou facilita ogrampo. "Eu acho que é uma estrada vicinal toda vez que tem umepisódio dessa natureza, que é um crime, se imaginar que não hálegislação para punir o crime. Já tem lei", disse ajornalistas. Enquanto Chinaglia não vê necessidade de uma nova lei, opresidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN) a defende,embora já existam projetos de lei neste sentido tramitando noCongresso. A minuta apresentada pelo ministro da Justiça nãocriminaliza jornalista ou veículo de comunicação que divulgarconteúdo de grampo. Tarso Genro disse que a Abin é originária do SNI e sofreuuma reforma jurídico-institucional, "mas a transição é lenta".Perguntado se a agência ainda carrega ranço do serviço deinformações da ditadura militar, respondeu que se o grampo forconfirmado "é bem provável".(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)

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