PF se isenta de ligação com relatório sobre Martins

As investigações realizadas pela Polícia Federal do Rio já confirmaram que não foi preparado por nenhum de seus órgão o chamado "relatório de inteligência", com acusações ao diretor da Agência Nacional de Petróleo (ANP), Victor Martins, irmão do ministro Franklin Martins.A PF, porém, ainda não tem como dizer se as informações contidas no documento são verdadeiras ou falsas. Ela só poderá afirmar isso ao dar prosseguimento à investigação sobre os reajustes dos repasses de royalties a alguns municípios, o que está sendo feito em inquérito aberto em novembro de 2007, que estava paralisado. O inquérito foi remetido à Procuradoria da República e, apesar de já liberado pelo procurador Marcelo Freire com mais 30 dias para as investigações, ainda não chegou à Delegacia Fazendária.A informação de que o relatório - que chegou a ser noticiado como peça da Diretoria de Inteligência da PF - não foi preparado dentro do departamento será divulgada oficialmente pelo superintendente da instituição no Rio, Ângelo Gióia, na próxima semana. Nos próximos dias, a polícia quer concluir as investigações sobre a elaboração do relatório e sua divulgação à imprensa. Admite-se na superintendência que o documento saiu da ANP. Mas essa hipótese ainda precisa ser confirmada, assim como a avaliação de que pode se tratar do fruto de uma disputa política.O documento tinha as mesmas características de documentos de inteligência policial, dando detalhes dos chamados "suspeitos", apresentando fotos e dados pessoais. Ele acusa Martins de beneficiar com aumentos dos repasses de royalties municípios que teriam contratado a assessoria da empresa Análise Consultoria, da qual ele e a mulher, Josenia Seabra, são sócios. O documento também afirma que o ex-assessor de Martins na ANP, o engenheiro Newton Simão, deixou o órgão e foi trabalhar na consultoria Petrobonus. A empresa é responsável pelo pedido de reajuste dos royalties de Angra dos Reis, que acabou sendo atendido pela ANP.O documento apontado como "relatório de inteligência" não constava do inquérito aberto para apurar os aumentos nos repasses de royalties, até ele ser noticiado no início do mês. A notícia dizia ser um relatório preparado pela inteligência da Polícia Federal que tinha sido entregue ao diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, e por ele engavetado.

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