PF sabe quem violou sigilo mas investiga caseiro

A Polícia Federal prometeu divulgar nesta sexta-feira, os nomes dos dois funcionários da Caixa Econômica Federal que operavam a máquina em que foi violado ilegalmente o sigilo bancário do caseiro Francenildo Santos Costa. Eles serão intimados para depor para informar de quem partiu a ordem. O caseiro entrou na mira da Polícia Federal, que pediu à Justiça a quebra de seu sigilo bancário, fiscal e telefônico. Intimado nesta quinta-feira, o presidente da Caixa, Jorge Mattoso, cancelou o depoimento alegando motivos pessoais, mas mandou dois advogados da assessoria jurídica da instituição entregarem toda a documentação relativa ao caso ao delegado Rodrigo Carneiro Gomes, encarregado do inquérito. Com a documentação, os peritos da PF rapidamente fizeram a identificação dos responsáveis, mas Gomes preferiu buscar orientação da Justiça Federal antes de fazer revelações, temeroso de que a PF venha a ser repreendida ou mesmo punida.DemoraA demora da Caixa em entregar e a da PF em concluir a identificação dos culpados pela quebra ilegal de sigilo da conta do caseiro irritou a comissão de parlamentares designada pela CPI dos Bingos para acompanhar as investigações. "Eles (o governo) estão procurando um Delúbio na Caixa, que assuma sozinho a responsabilidade pelo crime e isente os superiores", disse o senador Alvaro Dias (PSDB-PR).Inconformado também com a demora, o senador Romeu Tuma (PFL-SP) apresentou requerimento exigindo a imediata comunicação dos nomes dos responsáveis para que o Congresso apure toda a cadeia de responsabilidades. Ele acha que há gente acima dos dois funcionários já identificados que deu a ordem. "É claro que alguém mandou. Para que os funcionários (ou funcionárias) subordinados queriam essa informação se sequer conheciam o caseiro? Não era para ir ao banheiro!", observou.Para Tuma, a PF tem que agir com imparcialidade e divulgar imediatamente os nomes dos responsáveis, mesmo que atinja altas autoridades. "Se o Palocci vai cair ou não é problema do presidente", enfatizou.

Agencia Estado,

23 de março de 2006 | 20h03

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