PF retoma investigação sobre Jader

A Polícia Federal vai recomeçar na próxima semana as investigações em torno do ex-presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), nos inquéritos que apuram o envolvimento do senador na venda de Títulos da Dívida Agrária (TDAs) e nos desvios do Banco do Estado do Pará (Banpará). O Supremo Tribunal Federal já enviou ao procurador geral da República, Geraldo Brindeiro, o inquérito original, aberto em Belém, sobre o Banpará.Apesar de Jader afirmar, na terça-feira, em seu discurso de renúncia, que as investigações feitas no Pará não ter detectado seu envolvimento, ele nunca foi ouvido na polícia sobre os desvios do Banpará. Em 1992, quando foi aberto o inquérito na Delegacia de Ordem Polícia e Social (Dops) de Belém, a delegada Elizabete Santa Rosa tentou interrogá-lo, mas não conseguiu.Jader será convocado para depor na PF, pela primeira vez, sobre o caso. Para iniciar as investigações, a PF vai ouvir todos os ex-dirigentes do Banpará, na época em que Jader era governador do Pará. Todos eles, com exceção do ex-presidente da instituição, Nelson Ribeiro, e o ex-gerente da agência central, Marcílio Guerreiro, se negaram a depor na comissão de investigação do conselho de Ética do Senado. Depois, será a vez de Jader ser ouvido.Tanto os desvios do Banpará quanto à venda irregular dos TDAs serão investigados pelo delegado Luiz Fernando Ayres Machado, que foi o primeiro policial a ouvir um presidente do Legislativo. Em julho, Ayres Machado interrogou o senador para saber de sua relação na transação dos títulos. Jader negou que tivesse envolvimento, mas outros depoimentos colhidos pela PF, mostraram ao contrário.Um deles foi do agrônomo Raimundo Picanço, que afirmou que Jader, quando ministro da Reforma Agrária, sabia das negociações para a desapropriação da fazenda Paraíso, de onde surgiram os TDAs negociados pelo empresário Vicente de Paula Pedrosa da Silva com o ex-banqueiro Serafim Rodrigues Morais e sua mulher Vera Arantes Dantas. O casal contou que Jader estava no hotel onde houve a negociação com Pedrosa.A PF vai começar na próxima semana a rastrear os documentos enviados pelo STF com negociações de TDAs feitas por diversos bancos, entre 1987 e 1988, período em que o senador era ministro. A intenção é saber se o dinheiro pago por Serafim e Vera ao empresário Vicente Pedrosa foi depositado em alguma conta do ex-presidente do Senado.

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