PF resgata corpos em reserva indígena no Pará

Agentes da Polícia Federal, peritos do Instituto de Polícia Científica Renato Chaves, de Belém, e funcionários da Fundação Nacional do Índio (Funai) começaram hoje a cumprir uma difícil missão: resgatar de dentro da reserva Apyterewa, dos índios parakanã, os corpos dos posseiros Nilson Ferreira Dias, Joel Cardoso de Oliveira e Edval de Jesus do Nascimento, mortos a tiros pelos índios durante confronto na mata há duas semanas. Na área de 980 mil hectares, localizada entre os municípios de Altamira e São Félix do Xingu, no sul do Pará, vivem 304 índios que tiveram suas terras invadidas por mais de 2 mil trabalhadores rurais e suas famílias. O superintendente da Polícia Federal no Pará, Geraldo Araújo, admite que seus policiais e outros agentes do governo federal vão encontrar muitas dificuldades. Mas garante que eles estão preparados para cumprir a liminar de reintegração de posse concedida à Funai em junho passado pelo juiz federal de Marabá, Francisco Alexandre Ribeiro. O maior problema será retirar do local os invasores, muitos dos quais andam armados e se negam a sair das terras indígenas. Eles pretendem vingar os companheiros mortos e defendem a redução do tamanho da reserva para que possam lá permanecer. Se resolverem sair pacificamente, porém, não têm para onde ir. O conflito entre índios e posseiros era para ter sido resolvido há muito tempo se houvesse maior entrosamento entre as autoridades federais e estaduais. Elas foram avisadas desde o início da invasão, no começo deste ano. A primeira investida na terra parakanã ocorreu no lado oeste da reserva, às margens do rio Xingu. Depois, veio a decisão do juiz Francisco Ribeiro, que só agora começa a ser cumprida pela polícia.

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