PF reforça mobilização para retirar arrozeiros

Mudança começou, mas produtores acham impossível cumprir prazo do STF

ROLDÃO ARRUDA, O Estadao de S.Paulo

28 de março de 2009 | 00h00

A Polícia Federal vai deslocar mais homens para Roraima, nos próximos dias. Eles deverão ajudar na operação de retirada dos arrozeiros instalados na Terra Indígena Raposa Serra do Sol. Conforme determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), todos os não-índios devem deixar a área até o dia 30 de abril.De acordo com informações do superintendente da PF, em Roraima, José Maria Fonseca, o clima na região é tranquilo. Até agora ele comanda um conjunto de 200 homens, entre policiais federais e da Força de Segurança Nacional. A orientação é para que eles apoiem os produtores na retirada de seus bens da área indígena. Se preciso, os órgãos públicos vão alugar caminhões para pôr à disposição dos arrozeiros."Vamos dar todo o apoio que precisarem", disse Fonseca. "Tudo está fluindo bem. Os arrozeiros já começaram a retirar seus equipamentos."IMPOSSÍVELDe fato, os produtores de arroz estão deslocando para as cidades mais próximas suas principais e mais caras máquinas agrícolas. Nenhum deles, porém, acredita que será possível cumprir o prazo, anunciado na quarta-feira, pelo ministro Carlos Ayres Britto, do STF, em conjunto com o ministro da Justiça, Tarso Genro."Esses iluminados de Brasília deveriam vir aqui para nos dizer como fazer isso", desabafou ontem o arrozeiro e pecuarista Paulo Cesar Quartiero. "Pelas minhas contas, eu precisaria de 200 carretas para transportar máquinas, motores e equipamentos; e outras 200 só para levar o gado da minha fazenda. Pelas minhas contas, são necessários pelo menos 240 dias para executar essa tarefa, com um custo de R$ 2,8 milhões."Além do descontentamento com o prazo de retirada, considerado curto demais, os fazendeiros ontem mostraram irritação com a divulgação da notícia de que o Ibama pretende multar três deles por explorar áreas não licenciadas e de proteção ambiental.A maior multa recairá justamente sobre as propriedades de Quartiero, que liderou o movimento de resistência à criação da área indígena em forma contínua, com a retirada de todos os não-índios. "Isso é uma manobra do governo, para evitar pagar a indenização que estamos reivindicando na Justiça", disse ele, ao saber pelos jornais da possibilidade da multa.Outro arrozeiro que pode ser multado é Ivo Barili. Ele ocupa uma área de aproximadamente 10 mil hectares, dos quais 3 mil são ocupados com arrozais. No momento, sua maior preocupação é retirar o equipamento agrícola da terra indígena."Não sei nada sobre meu futuro", disse ele. "Estou trabalhando no cultivo da terra desde que cheguei a Roraima, nos anos 70, quando o slogan do governo era ?plante que o João Garante? (referência ao então presidente João Baptista Figueiredo). Hoje ninguém garante nem os títulos de propriedade que eu tenho. Vou virar um sem-terra. E os meus 50 empregados vão virar sem-trabalho."Enquanto aguardam a saída dos arrozeiros, os índios que vivem na região já discutem como vão ocupar aquela área.

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