PF recolheu iPhone enterrado em vaso na sala de advogado preso

Aparelho seria da mulher de suspeito de cooptar procurador para favorecer a JBS

Breno Pires e Isadora Peron, O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2017 | 21h41

BRASÍLIA - A Polícia Federal encontrou na residência do advogado Willer Tomaz de Souza, preso na Operação Patmos, entre vários equipamentos eletrônicos, um iPhone dourado dentro de um vaso de planta ornamental da sala de jantar que seria de propriedade da mulher do advogado, Flavia Oliveira Correia.

A informação consta do relatório do material apreendido no dia 18 de maio em endereços ligados aos alvos da investigação sobre a suposta cooptação do procurador Angelo Villela pelo grupo J&F para o recebimento de informação restrita à Operação Greenfield, na qual são investigados os proprietários da JBS — Wesley Batista e Joesley Batista.

Em um cofre, Tomaz de Souza mantinha o contrato de prestação de serviços com a Eldorado Brasil Celulose, empresa da J&F que é alvo na Greenfield.

Em sua delação premiada, Joesley disse que conheceu Villela por meio de Tomaz de Souza, contratado para defender a Eldorado. O procurador teria recebido pagamentos mensais de R$ 50 mil para beneficiar a empresa.

A PGR busca comprovar o relato de delatores de que, por meio de Tomaz de Souza e Villela, documentos de acesso restrito da força-tarefa responsável pela Greenfield foram encaminhados à JBS.

Luxo. Na residência do procurador Villela, também preso na Operação Patmos, a PF informa ter encontrado objetos como um relógio da marca Louis Vuitton, um carnê de pagamento da joalheria H. Stern em nome do procurador e diversos documentos relacionados à Operação Greenfield.

Entre os papéis apreendidos, estão petições sobre diversos processos em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF), como um inquérito contra o líder do PP na Câmara, deputado Arthur Lira (AL), e documentos relativos à Operação Greenfield, que apura fraudes em fundos públicos de pensão. 

Vilella fazia parte da força-tarefa que cuidava das investigações e teria supostamente repassado documentos sigilosos. O relatório da PF não diz se os documentos encontrados na residência do procurador eram sigilosos.

Além dos crimes de corrupção passiva e ativa, o Ministério Público Federal diz que "é possível depreender que o advogado Willer Tomaz, com a possível ajuda do procurador da República Angelo Vilella, estaria procurando obstar ou, no mínimo embaraçar eventual processo de negociação de acordo de colaboração premiada - ora em curso. Willer Tomaz receava que 'seus amigos' fossem prejudicados com as colaborações do grupo J&F". 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.