Ueslei Marcelino/Reuters
Ueslei Marcelino/Reuters

Ex-ministro de Collor e ex-assessor de Janene são alvo de ação da PF

Pedro Paulo Leoni e João Claudio Genú foram alvos da Operação Politeia, primeira fase dos desdobramentos da Lava Jato no Supremo Tribuna Federal

Talita Fernandes, O Estado de S. Paulo

15 de julho de 2015 | 20h52

BRASÍLIA - O ex-ministro do governo Collor Pedro Paulo Leoni e o ex-assessor do PP João Claudio Genú, envolvido no escândalo do mensalão, foram alvos dos mandados de busca e apreensão cumpridos na terça-feira (14) pela Polícia Federal no âmbito na Operação Politeia. 

A casa do ex-ministro, em São Paulo, e endereços referentes à casa e empresas de Genú, em São Paulo e em Brasília,  estão entre os 53 alvos de mandados cumpridos pela PF em Brasília, Alagoas, Bahia, Pernambuco, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo. A Operação Politeia é a primeira fase dos desdobramentos da Operação Lava Jato referente aos inquéritos que correm junto ao Supremo Tribunal Federal (STF). 

Os investigadores da Lava Jato suspeitam que Pedro Paulo seria cliente do doleiro Alberto Youssef e que essa relação teria determinado o repasse de valores que teriam sido pagos por Youssef, um dos delatores da Lava Jato, ao senador e ex-presidente Fernando Collor (PTB-AL).  

Devido à suspeita em relação a Pedro Paulo, investigadores buscam documentos referentes ao ex-ministro que possam mostrar a relação de sua empresa, a GPI com a BR Distribuidora, que também foi alvo das buscas realizadas na terça.

Além disso, Pedro Paulo deverá ser ouvido no inquérito do qual Collor é alvo e corre no STF para apurar suposto envolvimento do parlamentar no esquema que desviou recursos da Petrobrás. A assessoria de imprensa de Pedro Paulo confirmou o cumprimento de mandado de busca e apreensão e, por meio de nota, "reafirma sua total disposição em prestar quaisquer esclarecimentos às autoridades em qualquer momento que lhe for solicitado".

Já João Cláudio Genú, que foi assessor do ex-deputado federal José Janene (PP), é acusado de ter efetuado pagamentos a deputados do PP em troca de apoio para manutenção de dirigentes da Petrobrás. A PF apura a ligação de Genú com Youssef e com o doleiro Carlos Habib Chater, doleiro que comandava o esquema no "posto da Torre" em Brasília. O advogado de Genú, foi procurado pelo Estado desde terça-feira, mas a reportagem não conseguiu contato.

Collor. A casa de Collor e o apartamento funcional ocupado por ele também foram alvo de buscas de apreensões. A PF apreendeu dinheiro vivo nos dois endereços, além de obras de arte e de três carros de luxo: um Porshe, uma Lamborghini e uma Ferrari, além de documentos.

A PF já conseguiu identificar oito comprovantes de depósitos feitos pelo doleiro na conta do senador. Em depoimentos prestados em acordo de delação premiada, o doleiro disse ter feito "vários depósitos" ao senador. Collor é acusado de ter recebido no total R$ 50 mil de Youssef por meio de depósitos em espécie.

Na terça, os ex-diretores da BR Distribuidora Luiz Cláudio Caseira Sanches e José Zonis, também foram alvo das buscas da PF. Ambos foram indicados aos cargos por Collor. Sanches ocupou a diretoria da Rede de Postos de Serviço e Zonis, a diretoria de Operações e Logística.

Em diligências cumpridas anteriormente, a PF já conseguiu confirmar a ida de Pedro Paulo Leoni aos escritórios de Alberto Youssef. 

João Mauro Boschier, sócio da empresa GPI Participações e Investimentos junto de Pedro Paulo também deverá ser ouvido no inquérito do qual Collor é alvo. Investigadores suspeitam que Collor tenha se valido de sua influência nas indicações da BR Distribuidora para obter vantagens indevidas.

Politeia. Politéia, em grego, faz referência ao livro "A República", de Platão, que descreve uma "cidade perfeita", na qual a ética prevalece sobre a corrupção.  

 

De acordo com a PF, as ações foram deflagradas esta semana com o objetivo de "evitar que provas sejam destruídas pelos investigados". As ações foram autorizadas pelos ministros Teori Zawascki, Celso de Mello, e Ricardo Lewandowski, todos do STF.  

 

As buscas foram realizadas nas residências dos investigados, em seus endereços funcionais, escritórios de advocacia, órgãos públicos e sedes de empresas, como a sede do canal de TV controlado por Collor, em Alagoas.

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