PF realiza operação contra compra de votos em Alagoas

Dois vereadores eleitos de Maceió são acusados de compra de votos e aliciamento de eleitores este ano

Ricardo Rodrigues, de O Estado de S. Paulo,

16 de dezembro de 2008 | 15h47

A Polícia Federal de Alagoas deflagrou na manhã desta terça-feira, 16, a Operação Voto de Cabresto, que teve por objetivo o cumprimento simultâneo de dez mandados de busca e apreensão nas residências de cabos eleitorais e de dois vereadores eleitores por Maceió: Dery Almeida (PP) e Dino Júnior (PCdoB). Os dois vereadores eleitos são acusados de compra de votos e aliciamento de eleitores, nas eleições deste ano. Os dois negam as acusações, mas a Polícia Federal já indiciou Almeida e deverá indiciar também o representante do PCdoB. Segundo a assessoria de imprensa da PF, os mandados de busca e apreensão foram executados por cerca de cem policiais federais de Alagoas e outros Estados. As buscas foram realizadas em residências, apartamentos e em um estabelecimento comercial nos bairros do Feitosa, Jacintinho, Cruz das Almas e Jatúca. Durante os buscas, os agentes da PF apreenderam um revolver calibre 38 em poder de um cabo eleitoral do vereador eleito Nery Almeida, que é primo do prefeito eleito de Maceió, Cícero Almeida (PP). Foram apreendidos vários "santinhos" do então candidato Nery Almeida e um notebook que seria do vereador eleito, conforme informou a PF. Os agentes federais apreenderam ainda várias listas com nomes de cabos eleitorais e eleitores, com vários valores que cada um receberia na captação e na venda de votos. De acordo com o delegado Delano Cerqueira, que comandou a operação, os mandados de busca e apreensão foram expedidos pela Justiça Eleitoral com o objetivo buscar novos elementos de prova da corrupção eleitoral supostamente praticada pelos dois vereadores eleitos. Segundo as investigações da Polícia Federal, os eleitores foram aliciados por cabos eleitorais, mediante o oferecimento de valores que variam de R$ 30 a R$ 50, para compra de votos, além de permitir a fixação em suas casas de bandeiras e adesivos dos candidatos Nery Almeida e Dino Júnior - este último é irmão do deputado estadual Dino Filho (PTdoB), que assumiu a vaga de um deputado afastado na Assembléia Legislativa de Alagoas. Caso sejam condenados, os dois vereadores poderão sofrer uma pena de até quatro anos de reclusão, pagamento de multa e perda do mandato eletivo. De acordo com a assessoria da PF, nas buscas, foram encontrados cadastros de eleitores, anotações e outros documentos que comprovam a ocorrência do crime de compra de votos. "Um dos investigados (Nery Almeida) já foi indiciado pelo crime previsto no artigo 299 do Código Eleitoral. Foi apreendida ainda uma arma de fogo que será periciada. Por fim, um dos cabos eleitorais prestou esclarecimentos e confessou a sua participação no esquema de compra de votos", afirmou o delegado Delano Cerqueira, em nota distribuída à imprensa. 

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