PF reafirma que Protógenes pediu para deixar caso Dantas

Em nota, PF tenta dissipar rumores sobre saída do delegado e volta a afirmar que ele saiu para fazer curso

Neri Vitor Eich, da Agência Estado,

16 de julho de 2008 | 19h20

A Agência de Notícias do Departamento de Polícia Federal (DPF) divulgou na tarde desta quarta-feira, 16,  conforme havia sido antecipado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, uma nota em que reafirma que foi do próprio delegado Protógenes Queiroz a iniciativa de deixar o comando da Operação Satiagraha e que ele fez isso para poder freqüentar as aulas do 22º Curso Superior de Polícia. Nesta quarta, Lula cobrou a volta do delegado ao caso e negou as insinuações que a saída de Protógenes teria motivação política.   Veja também: Lula cobra volta de Protógenes ao caso Dantas Tarso nega motivação política em saída de Protógenes Queiroz Três delegados do caso Dantas deixam a Operação Satiagraha Presidente do STF justifica libertação de Dantas  Opine sobre nova decisão que dá liberdade a Dantas  Entenda como funcionava o esquema criminoso  Veja as principais operações da PF desde 2003  As prisões de Daniel Dantas   "No dia 02 de junho, foi publicada Portaria da Academia Nacional de Polícia com a convocaço de Queiroz", diz a nota, afirmando que a razão de sua divulgação é esclarecer "notícias veiculadas em alguns setores da mídia com informações equivocadas sobre a saída dos delegados responsáveis pela Operação Satiagraha". Protógenes era responsável por um dos inquéritos da operação. Os responsáveis por outros dois inquéritos, a delegada Karina Murakami Souza e o delegado Carlos Eduardo Pelegrine, também se afastaram das funções.   Segundo a DPF, Protógenes sugeriu que poderia continuar tocando o inquérito que estava sob sua responsabilidade se lhe fosse permitido trabalhar apenas aos sábados e domingos, já que teria de freqüentar o curso nos dias úteis, mas a sugestão não foi aceita pelos diretores da PF com os quais estava reunido em São Paulo no dia 14 de julho: o diretor de Combate ao Crime Organizado, Roberto Ciciliati Troncon Filho, o chefe da Divisão de Combate aos Crimes Financeiros, Paulo de Tarso Teixeira, o superintendente da Polícia Federal em São Paulo, Leandro Daiello Coimbra. Eles estavam reunidos com Protógenes Queiroz para "avaliar os procedimentos operacionais e discutir as etapas seguintes da investigação."   De acordo com a nota, o delegado precisa assistir às aulas, porque, "no dia 20 de maio, a Justiça determinou a matrícula e freqüência do delegado no referido curso." A sugestão de trabalhar no inquérito aos sábados e domingos foi rejeitada pelos diretores da PF, porque "traria prejuízo às pessoas convidadas a prestar esclarecimentos junto à investigação, comprometendo também a celeridade da apuração" e porque a autorização para só atuar na instrução do inquérito nos fins de semana "quebraria ainda a regra de dedicação exclusiva exigida de todos os participantes na fase presencial."   "Diante dos argumentos", diz a nota da DPF, "o delegado Queiroz comprometeu-se a relatar o inquérito até o dia 18 de julho alegando que o procedimento estaria praticamente concluído com os resultados das investigações realizadas até então. Protógenes Queiroz acrescentou também o desejo de, após concluir o Curso Superior, não mais atuar junto aos outros dois inquéritos, preferindo colaborar como apoio às demais autoridades policiais designadas para a investigação."   Em outros trechos, a nota da PF afirma:   Ao término da reunião, o diretor de Combate ao Crime Organizado, Roberto Ciciliati Troncon Filho, tomou conhecimento por meio do chefe da Delegacia de Combate aos Crimes Financeiros que a delegada Karina Murakami Souza havia manifestado desejo de não continuar à frente do inquérito pelo qual era responsável. A delegada alegou razões pessoais, o que levou os diretores a designarem o delegado Ricardo Saadi a assumir a presidência desse inquérito e a delegada Érika Mialik Marena para presidir o terceiro procedimento. Saadi e Marena serão auxiliados por dois delegados que atuam na área de repressão a crimes financeiros e lavagem de dinheiro;   "O delegado Carlos Eduardo Pelegrine não fazia parte da equipe de investigação e havia sido cedido dias antes da Operação para auxiliar na fase ostensiva;   "Por iniciativa da Polícia Federal, serão prestadas, hoje, ao procurador do caso e ao juiz da 6ª Vara Federal de São Paulo, informações detalhadas sobre os fatos acima descritos e sobre as próximas fases da investigação;   "A direção-geral da PF lamenta a distorção dos fatos, que só leva a confundir a população, e aproveita para reafirmar o compromisso perante a sociedade brasileira de cumprir fielmente suas atribuições constitucionais.

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