PF quer chegar à origem do dinheiro para indiciar envolvidos

A Polícia Federal começa nesta quarta-feira a etapa decisiva para descobrir a origem do R$ 1,75 milhão, apreendido em poder de petistas, que seria usado na compra do dossiê contra tucanos. O passo seguinte é indiciar os envolvidos no episódio, segundo informou nesta terça-feira o delegado Diógenes Curado, encarregado do inquérito, antes de embarcar para Campo Grande (MS), para tomar os depoimentos do piloto e do dono da empresa de táxi aérea contatada para fazer o transporte do dinheiro.O inquérito será concluído no próximo dia 26 e Curado espera, até lá, resolver o principal dilema da investigação: quem, na cúpula petista, autorizou a compra do dossiê e que pessoas e empresas contribuíram com o dinheiro. O principal suspeito de ter sido o mandante é o presidente licenciado do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), que não pode ser investigado formalmente porque, enquanto exercer mandato parlamentar, tem direito a foro privilegiado.Quanto ao dinheiro, as pistas até agora apontam para um pool, com a participação de empresários, doleiros e até bicheiros, cujas doações teriam sido somadas a recursos de caixa 2 do PT. "Dependo dessas respostas para definir o rol de indiciamentos e a tipificação criminal de cada um", disse o delegado. Casa seja constatado o envolvimento de Berzoini, as provas serão remetidas ao Supremo Tribunal Federal (STF), ao qual compete processar parlamentares. O deputado nega envolvimento com o caso.Curado acha que está perto da elucidação completa do episódio e que não será preciso pedir mais prazo à Justiça. "Se necessário, peço mais tempo, mas acho que posso concluir já", observou. Nesta terça, o juiz Jéferson Schneider, da 2ª Vara Federal de Cuiabá, pediu informações adicionais para conceder novas diligências, depoimentos e quebras de sigilo bancário e telefônico pedidos pela PF.Até agora, oito pessoas são candidatas fortes ao indiciamento. Além do empresário Luiz Antonio Vedoin, chefe da máfia dos sanguessugas e autor do dossiê contra tucanos, estão relacionados sete petistas, sendo seis ligados à campanha da reeleição do presidente Lula e um à da campanha do senador Aloizio Mercadante ao governo de São Paulo.Os primeiros da fila são o advogado Gedimar passos e o empresário Valdebran Padilha, presos com o dinheiro em 15 de setembro passado, num hotel de São Paulo. Outro indiciamento certo é o do ex-coordenador da campanha de Mercadante, Hamilton Lacerda, identificado em câmeras de vídeo entrando no hotel com a mala do dinheiro.Apontado por Gedimar como a pessoa que lhe incumbiu de obter o dossiê, o chefe da equipe de inteligência do PT, Jorge Lorenzetti também está relacionado para fins de indiciamento, junto com o ex-diretor do Banco do Brasil, Expedito Veloso e o ex-secretário de Emprego e Salário do Ministério do Trabalho, Oswaldo Bargas. A PF depende das diligências e depoimentos dos próximos dias para incluir na lista Freud Godoy, ex-assessor especial de Lula.

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