PF prende prefeito e vice por crime ambiental

Policiais federais prenderam ontem o prefeito de General Carneiro, Ivanor Dacheri (PSB), o vereador José Cláudio Maciel (PSB), também de General Carneiro, e o vice-prefeito de Coronel Domingos Soares, Volnei Barbieri (PSDB), por crime ambiental. O prefeito de Bituruna, Remi Ranssolin (PTB), que também teve prisão decretada, não foi localizado até a tarde de ontem. Os municípios ficam na região centro-sul do Paraná.Segundo a PF, todos têm madeireiras e são acusados de corte ilegal de reservas naturais, principalmente de araucária (pinheiro do Paraná), usando licenças irregulares e munidos de notas fiscais falsificadas."Verificamos uma tragédia ambiental", salientou o delegado de Crimes Ambientais da PF, Rubens Lopes da Silva. "O perfil naquela região é surpreendente, não havia peões, mas, via de regra, pessoas com poder econômico e influência política." A polícia também cumpriu mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre, nos escritórios dos acusados tanto em cidades paranaenses quanto em São Paulo, onde foram presos Wilson Dissenha e dois de seus filhos, proprietários, segundo a PF, da empresa Madepar. As prisões fazem parte da Operação Angustifolia, desencadeada na semana passada e que, somente nesse período, rendeu mais de R$ 4 milhões em multa, resultado de 133 autos de infração. Nos últimos dez anos, as multas chegam a R$ 1 bilhão. A previsão inicial dos fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) era vistoriar 145 pontos suspeitos de irregularidades. No entanto, foram encontrados pelo menos 40 não previstos. Além das prisões, foram interditadas, por 15 dias, as instalações madeireiras de 16 empresas. Entre elas está uma do deputado federal Luciano Pizzatto (DEM-PR). Ele afirmou a empresa estaria parada há dois anos. "Um laudo qualquer de um perito vai mostrar que não há nada de irregular", afirmou. Os advogados do prefeito e do vereador presos disseram que não tiveram acesso ao inquérito. O advogado dos empresários paulistas não foi encontrado.

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