PF prende prefeito de Juiz de Fora

Carlos Alberto Bejani, detido pela 2ª vez, é suspeito de integrar esquema de liberação irregular de verba do FPM

Eduardo Kattah, BELO HORIZONTE, O Estadao de S.Paulo

13 de junho de 2008 | 00h00

Em um desdobramento da Operação Pasárgada, a Polícia Federal prendeu novamente ontem o prefeito de Juiz de Fora (MG), Carlos Alberto Bejani (PTB), e outras 12 pessoas suspeitas de integrar esquema de liberação irregular de verba do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). A Operação de Volta para Pasárgada resulta da análise do material apreendido em abril, quando foram presas 50 pessoas, entre elas Bejani, outros 16 prefeitos e um juiz federal. O suposto esquema teria causado rombo de R$ 200 milhões nos últimos três anos. Os mandados de prisão - sete de preventiva e sete de temporária - foram expedidos pelo Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região e cumpridos pela PF em Belo Horizonte e Juiz de Fora. Um deles se referia ao ex-gerente da Caixa Econômica Federal Francisco de Fátima Sampaio, que já fora preso preventivamente em maio.Foram expedidos 47 mandados de busca e apreensão, além da apreensão de carros de luxo e imóveis na capital mineira, em Juiz de Fora e em Cabo Frio (RJ). Cerca de 200 agentes federais participaram da ação.Segundo o delegado regional de Combate ao Crime Organizado, Alessandro Moretti, as novas prisões atingiram o "núcleo central da Operação Pasárgada". Além de Bejani, foi preso Paulo Sobrinho de Sá Cruz, apontado como principal lobista do esquema. Sá Cruz também foi preso na primeira ação. A nova fase da Pasárgada apura relações entre a Prefeitura de Juiz de Fora e as de outros municípios com prestadoras de serviços contratadas sem licitação. Numa empresa investigada, em Belo Horizonte, os policiais apreenderam US$ 700 mil em ações ao portador de offshores no Uruguai, cuja autenticidade ainda será comprovada.Bejani foi preso em casa, por volta das 6 horas. Segundo o delegado Moretti, há indícios da procedência ilícita do montante de R$ 1,120 milhão em espécie encontrado na casa do prefeito quando foi preso pela primeira vez. A PF também achou indícios de fraude em sua versão: ele alegou que os recursos vieram da venda da Fazenda Liberdade, no município vizinho de Ewbank da Câmara. De acordo com Bejani, a propriedade (de 92,41 hectares) foi vendida por R$ 1,2 milhão ao advogado Marcelo Abdalla da Silva. À PF, Abdalla confirmou o negócio, mas não reconheceu o dinheiro apreendido na casa do prefeito e foi indiciado. Posteriormente, o advogado afirmou que estava recebendo ameaças para não divulgar à polícia informações sobre o caso. "Ele (o prefeito) alegou que era um contrato de compra e venda de uma propriedade. Nós obtivemos indícios, provas, de que não foi esse contrato que deu origem àquele dinheiro", disse o delegado. "Nós desconstituímos essa alegação. Por enquanto, ao nosso ver, esse dinheiro não tem procedência comprovada. Ou seja, ele pode ser produto de ilícito."A Câmara de Juiz de Fora já instalou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar Bejani pelas suspeitas de liberação indevida de recurso do FPM, desvio de verbas e enriquecimento ilícito. TCEEm Belo Horizonte, a PF cumpriu diligência na sede do Tribunal de Contas do Estado (TCE). A participação no esquema de um funcionário graduado do tribunal está sendo investigada. Segundo Moretti, a diligência tinha por objetivo "buscar novos elementos" na investigação.A assessoria do TCE informou que os agentes tiveram acesso às dependências da sede, "leram documentos e foram embora". Segundo a assessoria, os policiais já estiveram "várias vezes" no local e o tribunal desconhece irregularidade praticada por algum funcionário, mas vai colaborar com a PF.Contatado, o advogado Marcelo Leonardo, que representa o prefeito de Juiz de Fora, disse que não podia falar com a reportagem. O advogado Leonardo Isaac Yarochewsky, que representa Sá Cruz, afirmou que não tivera acesso ao mandado expedido contra seu cliente.Yarochewsky, no entanto, considerou que não havia razão para que Sá Cruz fosse preso preventivamente. "Ele compareceu todas as vezes que foi intimado, não demonstrou nenhuma rebeldia, não está atrapalhando a investigação, tem residência fixa, tanto que foi preso em casa", argumentou, observando que estuda um recurso. O advogado do ex-gerente da Caixa não foi localizado.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.