PF prende irmão do senador Roberto Requião e mais 8 por crimes no Porto de Paranaguá

Operação da polícia contra crimes no litoral do Paraná apreendeu, na casa do ex-superintendente da APPA Eduardo Requião, R$ 140 mil em dinheiro e várias armas

Evandro Fadel, de O Estado de S.Paulo,

21 de janeiro de 2011 | 13h21

CURITIBA - A Polícia Federal prendeu na quarta-feira, 19, o irmão do ex-governador do Paraná e senador eleito Roberto Requião (PMDB), o ex-superintendente da APPA Eduardo Requião. A polícia encontrou em seu apartamento no Rio de Janeiro R$ 140 mil em dinheiro e várias armas, cujos documentos de regularização a PF ainda aguarda. Esta operação da PF faz parte de um conjunto dos 29 mandados de busca e apreensão desencadeados pelos crimes de desvio de carga e fraudes em licitações, contratações irregulares de empresas e pedidos de propinas no Porto de Paranaguá, no litoral do Paraná, ocorridos também na quarta.

 

Após saber da prisão de seu irmão, o ex-governador do Estado fez várias publicações em seu Twitter comentando a operação da PF. "Não perdôo nem o pecador nem o pecado, confio no meu irmão. Dentro da lei tudo deve ser apurado", disse num de seus posts.

 

Eduardo Requião deve ser chamado a depor para explicar a origem do dinheiro, que não foi recolhido pela PF, pois a determinação judicial era apenas para documentos e computadores.

 

Mais oito pessoas foram presas acusadas de crimes envolvendo o Porto de Paranaguá. Outras duas apresentaram-se na quinta. Seis dos acusados estariam envolvidos em esquema de desvio de cargas. Outros quatro, todos presos, são indiciados de fraude em licitações, contratações irregulares de empresas e pedidos de propinas. Entre os detidos nesta acusação está o ex-superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) Daniel Lúcio Oliveira de Souza, nomeado pelo ex-governador para o período de outubro de 2008 a abril de 2010.

 

Contra o ex-superintendente e outros ex-funcionários do porto pesa a acusação de que teriam recebido R$ 5 milhões para que uma empresa vencesse a licitação para a dragagem do porto, que foi posteriormente anulada. Souza também é suspeito de ser proprietário de uma empresa contratada para serviços emergenciais, que custariam R$ 70 mil, com impostos, mas teria recebido R$ 270 mil. Dele também seria uma empresa apresentada para realizar a limpeza do cais. Antes de assumir a superintendência da Appa, ele era diretor administrativo-financeiro da instituição. Souza foi detido no Rio de Janeiro. A defesa do ex-superintendente não foi localizada.

 

As investigações de desvio de cargas começaram há cerca de dois anos, após denúncias de exportadores à Receita Federal. A diferença no volume que deveria ter sido embarcado era percebida somente no destino, o que prejudicava os exportadores que recebiam menos valores, além de serem obrigados a pagar mais em seguro. "Muitas pessoas estavam tendo descrédito por embarcar soja no Porto de Paranaguá", disse o delegado da PF em Paranaguá, Jorge Luiz Fayad Nazário.

 

De acordo com a PF, uma das modalidades de atuação dos acusados era servir-se de um dos terminais do porto, cujo nome não foi revelado, para desviar as cargas. Normalmente, o exportador manda um porcentual a mais dos granéis para cobrir possível "quebra", o que se chama de retenção técnica. Após o embarque, os acusados estariam comunicando o exportador de que não teria havido sobras, mas, na verdade, apropriavam-se indevidamente daquele volume, que era vendido no mercado interno.

 

Também foi apurado que alterações na balança faziam com que o volume realmente embarcado fosse menor que o registrado. Segundo a polícia, outras vezes o desvio acontecia na própria esteira, que trazia os produtos de volta para o armazém. A estimativa da Polícia Federal, Receita Federal e Ministério Público Federal, que atuaram de forma conjunta, é que o desvio pode ter chegado a 4 mil toneladas por safra, o que rendia ilegalmente cerca de US$ 2 a 3 milhões.

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