PF prende grupo que prometia "lavar dinheiro"

A Polícia Federal prendeu nove dos 11 integrantes de uma quadrilha que aplicava golpes em empresários de todo o Brasil, prometendo vantagens financeiras em troca de ajuda na lavagem de dinheiro. Entre os membros do grupo havia um agente da Polícia Federal, três policiais militares e um civil. Uma das vítimas foi o PFL do Distrito Federal que, no ano passado, perdeu US$ 500 mil, que seriam sobras de campanha. Há 15 dias, a quadrilha tentou fechar "negócio" com argentinos, envolvendo US$ 1 milhão. A PF estourou a quadrilha antes de o golpe nos argentinos ser aplicado.O delegado de Repressão a Entorpecentes da Polícia Federal, Rodney Miranda, que participou das investigações, conta que a quadrilha ligava para empresários dizendo dispor de dinheiro oriundo de caixa de campanha, de desvios de Banco Central ou de caixa dois. Em algumas situações, se apresentavam como representantes de partidos políticos e de igrejas. Ofereciam ao empresário que os ajudasse a legalizar o dinheiro lucro de duas a quatro vezes o valor do investimento. A quadrilha pedia que os empresários entrassem com dólares. E pagava em reais. Normalmente, adiantava uma parte do dinheiro, com tarjas do Banco Central separando as notas. Era a isca para o empresário acreditar que o esquema funcionava. Depois, o grupo marcava encontro em Formosa (GO) para finalizar o pagamento. A caminho do local marcado, apareciam outros comparsas que simulavam assalto. "Era o golpe perfeito", comenta o delegado, explicando que os falsos assaltantes carregavam tanto o dinheiro do contratante quanto o do contratado. Todos pareciam vítimas, e o empresário era desestimulado a denunciar o caso à polícia, por envolver um negócio ilícito. A Polícia Federal apreendeu armas, munição, porte de arma federal em nome dos integrantes da quadrilha, e cédulas totalizando US$ 2,4 mil e R$ 8,6 mil. O delegado estima que a quadrilha estaria atuando há seis anos. Um dos integrantes, considerado o chefe, Jaime Vieira, tinha carteira de funcionário da Câmara Legislativa de Formosa e era dono de sete caminhonetes F-250, além de fazendas e mansões. A PF não tem idéia do número de empresários que caíram no golpe dessa quadrilha.

Agencia Estado,

20 de julho de 2001 | 19h58

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