PF prende ex-sócio de Jader

A Polícia Federal de Mato Grosso prendeu nesta terça-feira à noite, emCuiabá, o empresário José Osmar Borges, ex-sócio do presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA).Borges teve a sua prisãopreventiva decretada pelo juiz da 2ª Vara da Justiça Federal emMato Grosso, Jeferson Schneider, acolhendo pedido do procurador daRepública em Mato Grosso, José Pedro Taques.Denúncias do Ministério Público Federal e dois inquéritos na PFapontam o empresário como um dos maiores fraudadores daSuperintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam).Ele é acusadode desviar em torno de R$ 70 milhões da Sudam, segundo dois inquéritosda Polícia Federal que ainda não foram concluídos, e R$ 133 milhões deacordo com a revista Veja e o procurador José Pedro Taques.Borgesmantém em Mato Grosso seis projetos com incentivos da autarquia.A Justiça Federal decretou a prisão de 35 pessoas que estariamenvolvidas nas fraudes de desvio de recursos da Sudam, de um total de60 pedidos requeridos, segundo o procurador José Pedro Taques.Nesta segunda-feira, 16 pessoas forampresas, informou a Polícia Federal. Taques disse que mais prisões podemocorrer a qualquer momento no âmbito da Amazônia Legal. Além do empresário José Osmar Borges, a PF procura o contador FlorivaldoFúrio, que também teve a prisão decretada.Nesta segunda-feira, a Polícia Federalprendeu o sócio de José Osmar, o empresário e ex-delegado da PolíciaFederal Alberto Coury Júnior, em Brasília, além da secretária IlmaMartins Gustinelli e da ex-contadora Cirlene Ferreira Muniz, que forampresas em Cuiabá. As duas são consideradas "laranjas".Também foi preso o empresário Jorge Jerônimo Gonso, proprietário daPrestimus Assessoria, responsável pela elaborações dos projetosaprovados pela Sudam.O empresário José Osmar Borges passou a ser investigado a partir domomento em que o Tribunal de Contas da União (TCU) descobriu que na"Agropecuária Santa Júlia", em Água Boa (a 700 km de Cuiabá), não havianenhuma cabeça de gado.No projeto, de acordo com o inquérito da PF,Osmar Borges declarou que investiu R$ 2,8 milhões para adquirir umrebanho de 7.878 matrizes e 240 touros. Segundo o Ministério Público, dos R$ 14,6 milhões do empreendimentoAgropecuária Santa Júlia, que teve início em 1995, em uma área de14.611 hectares, R$ 11 milhões foram financiados pela Sudam.Oempresário teria dito que aplicou R$ 7,4 milhões na formação de 13.570ha de pastagens; e R$ 1,9 milhão na compra de veículos e equipamentos.Além da Agropecuária Santa Júlia, em Água Boa, o empresário OsmarBorges desenvolve outros cinco empreendimentos em Mato Grosso, com R$ 73,5 milhões de incentivos da Sudam: "Pyramid Agropastoril", "MoinhoSanto Antônio", "Saint Germani Agroindustrial S/A", "PyramidConfecção", e "Royal Etiquetas".Todos devem ser cancelados porindícios de fraudes, como "notas frias".A "Pyramid Agropastoril" está situada em Rosário Oeste (a 111 kmde Cuiabá). Dos R$ 45,74 milhões destinados ao projeto, R$ 21,9 milhõessão de incentivos da Sudam.Através de um documentário em vídeo, comduração de 15 minutos, Osmar Borges afirma que investiu R$ 12 milhõesem 7,750 ha de pastagens e R$ 3,4 milhões em outros 2 mil ha de áreasirrigadas, além de R$ 7,2 milhões em pivôs centrais.Afirma que adquiriu, por R$ 3,6 milhões, oito mil matrizes e 160touros. Em veículos e equipamentos assegura que aplicou R$ 3,7 milhões.Diz também que construiu 65 km de estradas, 12 pontes, campo de pouso,rede elétrica, 36 represas e um reservatório.Em fase de implantação no distrito industrial de Cuiabá, o "MoinhoSanto Antônio" já recebeu R$ 10,590 milhões da Sudam. Borges garanteque investiu R$ 283 mil em obras preliminares.Dos R$ 115,6 milhões doprojeto de fiação e tecelagem "Saint Germani Agroindustrial S/A",também no DI da Capital, R$ 57,8 milhões são oriundos da Sudam. Dessemontante, R$ 22 milhões já foram liberados.O empreendimento tem 24.480 m2, sendo 19.742 m2 de área construída.Borges diz que gastou R$ 41,6 milhões na aquisição de máquinas eequipamentos.A "Pyramid Confecção" prevê um investimento de R$ 18,4milhões, sendo R$ 9,2 milhões da Sudam. Para o sexto empreendimento,"Royal Etiquetas", estão previstos R$ 17,8 milhões, sendo R$ 8,9milhões da Sudam.

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