PF prende cúpula do Incra em Mato Grosso

Operação desmonta suposto esquema de falsificação de papéis para desapropriação de terras

Fátima Lessa, O Estadao de S.Paulo

20 de dezembro de 2008 | 00h00

Numa operação que resultou na prisão de 14 suspeitos, a Procuradoria-Geral da República em Mato Grosso, com apoio da Polícia Federal, desmontou um grupo que havia pelo menos dez anos mantinha o que as autoridades classificam como esquema de falsificação de documentos para desapropriação de terras. Entre os suspeitos detidos encontram-se o superintendente do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra) de Mato Grosso, João Bosco de Morais, o vice-superintendente, Valdir Perius, o procurador regional do órgão, Anildo Braz Rosário e o chefe da Divisão de Obtenção de Terras, Marco Antônio Rocha e Silva, além de madeireiros e fazendeiros.As investigações foram iniciadas em 2007. Segundo o Ministério Público, o grupo falsificava cadeias dominiais em terras devolutas da União ou do Estado, fraudava mapas e apontava falsos proprietários - madeireiros e fazendeiros que integravam a quadrilha. Uma vez montado o esquema, o Incra comprava as terras para fins de assentamento. Pelo menos seis projetos de assentamentos, abrangendo cerca de 7 mil hectares, foram criados dentro do esquema. Segundo o procurador da República em Mato Grosso, Mário Lúcio Avelar, a desapropriação era meticulosamente simulada perante o Judiciário. As áreas preferenciais eram florestas. O grupo vai responder pelos crimes de formação de quadrilha, estelionato e peculato. As fraudes teriam causado um rombo de pelo menos R$ 14 milhões aos cofres públicos. Segundo a Polícia Federal, foram expedidos 16 mandados de prisão preventiva e 24 mandados de busca e apreensão. A maioria das prisões ocorreu em Mato Grosso, na cidades de Cuiabá, Várzea Grande, Sinop, Itaúba e Cáceres. A operação também envolve cidades dos Estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná. Em Brasília, a presidência do Incra disse que partiu dali o pedido de investigação das operações irregulares e que o superintendente regional já foi exonerado do cargo.Os advogados dos acusados vão entrar com pedidos de habeas corpus no Tribunal Regional Federal (TRF).

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