PF prende cinco em operação contra fraude nos Correios

Investigação teve início com escândalo do mensalão; procurador diz que quadrilha desviou milhões

Vannildo Mendes, do Estadão

02 de agosto de 2007 | 13h13

Cinco pessoas foram presas nesta quinta-feira, 2,  na fase ostensiva da operação da Polícia Federal, denominada Operação Selo. A ação foi desencadeada no Distrito Federal, no Rio de Janeiro, em Pernambuco e São Paulo. Entre os presos está o empresário Arthur Wascheck Neto. Ele já havia sido preso em 2005 na primeira operação da PF, quando foi detido também Maurício Marinho, então diretor dos Correios. Marinho foi flagrado em fita de vídeo quando embolsava R$ 3 mil de propina de um grupo de fornecedores da estatal e as gravações foram feitas por Wascheck.  Veja Também:   Flagra de Marinho   Marinho declarou que o dinheiro iria para um esquema operado pelo PTB na estatal. Após a divulgação da fita, o presidente do partido, deputado Roberto Jefferson, sentindo-se traído, denunciou um esquema de corrupção que ficou conhecido como mensalão. Jefferson acabou sendo cassado.  O procurador da República, Bruno Acioly informou, em entrevista coletiva ao lado de outro procurador e de dois delegados da PF, que a organização criminosa que lesava a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) fraudava licitações e aquisições de bens e serviços que envolviam contratos gigantescos, no valor de "alguns bilhões de reais", e desviou "dezenas de milhões" de reais.   "O volume preciso (dos desvios) ainda vai ser calculado, mas eu diria que é de dezenas de milhões de reais", afirmou Acioly. Além de fraudar as licitações, os membros da quadrilha faziam combinação de preços (cartelização) e escolhiam antecipadamente os vencedores de concorrências. Segundo Acioly, a corrupção persistiu na ECT depois da briga de quadrilhas verificada em 2005. "Uma organização tomou o lugar da que saiu", disse o procurador. Ele comparou a corrupção nos Correios a um câncer: "A corrupção é um câncer. Não há como eliminar. Você o isola em uma parte, e ele ressurge em outra."  Por isso, apesar de já terem sido realizadas duas operações, a de 2005 e a desta quinta, não dá para dizer, segundo a PF e o Ministério Público, que esteja eliminada a corrupção nos Correios. A investigação envolve o período de 2002 até agora.  Segundo a PF e o MPF, estão envolvidos no esquema de desvios pelo menos duas dezenas de empresas que prestam serviços à estatal, e há mais de uma quadrilha ativa dentro dos Correios. Outro lado O advogado Cleber Lopes Teixeira, estranhou a decretação de prisão do empresário Arthur Wascheck Neto, seu cliente e criticou a atuação da Polícia Federal e do Ministério Público, que a seu ver estariam cerceando a defesa. "Até agora não tive acesso aos autos da prisão ou a qualquer informação, um direito dos advogados no estado de direito", afirmou.  Cleber disse que vai espera ter acesso aos dados nesta sexta-feira para ver que tipo de medida adotar - e onde - para relaxar a prisão do cliente. "Não é a primeira vez que advogados são prejudicados nos seus direitos legais nesse tipo de operação", atacou. Segundo o advogado, Wascheck garante ser inocente das acusações e alega que sempre cumpriu os requisitos legais na sua atuação como fornecedor dos Correios. "Essa prisão foi feita sem elementos, baseada em premissa falsa. Desconheço até o ambiente jurídico em que foi decidida", disse. Ele garantiu que o empresário sempre colaborou com as investigações da PF.  Por meio da assessoria, a ECT, que teve dois de seus funcionários detidos, informou que desconhece as razões das prisões e das acusações e, por isso, não vai se manifestar até receber a comunicação oficial da PF e do MP.Os advogados dos demais presos não foram localizados. Ainda sobre o mensalão O Supremo Tribunal Federal (STF) começa a julgar no próximo dia 22 denúncia da Procuradoria-Geral da República contra 40 acusados de envolvimento com o mensalão. A denúncia foi encaminhada em abril de 2006 e está com o ministro Joaquim Barbosa. O julgamento começará pela leitura do voto do relator e deve durar três dias. O procurador-geral, Antônio Fernando de Souza, denunciou 40 pessoas, entre elas o ex-ministro José Dirceu, por formação de quadrilha, entre outros crimes.

Tudo o que sabemos sobre:
Correiosfraudesmensalão

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.