PF prende assessor de tucano que faltou a depoimento

A Polícia Federal prendeu nesta segunda-feira, em Curitiba, o chefe de gabinete do deputado federal Luis Carlos Hauly (PSDB-PR), Amauri Martins Escudeiro. Ele é acusado de quebra de sigilo funcional. Escudeiro tinha sido convocado para prestar depoimento na sexta-feira, em razão da prisão de seis pessoas acusadas de aplicar golpes de cobranças de supostas dívidas pela Itaipu Binacional. O assessor alegou não ter sido notificado. De acordo com a PF, a prisão deve-se ao fato de a Câmara dos Deputados ter informado sobre a dificuldade de notificá-lo.Amauri Escudeiro não compareceu ao depoimento marcado pela Polícia Federal no último dia 23, em Curitiba, como parte das investigações da Operação Castores. A ausência abriu a possibilidade de Escudeiro ter sua prisão decretada pela Justiça. O assessor já escapara da prisão quando a operação foi desencadeada pela PF, na terça-feira da semana passada. Na ocasião, seis pessoas foram presas em Curitiba, São Paulo e Brasília, sob acusação de participarem de quadrilha envolvida em esquema de fraudes contra as empresas Itaipu, Furnas, Eletrosul e Eletronorte. Segundo a PF, o grupo atuaria por meio de tráfico de influência, falsificação de documentos e corrupção ativa e passiva. Entre os detidos estavam um ex-funcionário de Itaipu e representantes de algumas empresas. Também foram cumpridos 22 mandados de busca e apreensão de documentos. Escudeiro recebia uma mala de documentos do principal suspeito de formar a quadrilha, o ex-funcionário de Itaipu Laércio Pedroso, no momento em que ele foi preso. Pedroso, que deixou Itaipu em 1992, tinha um depoimento marcado na Comissão de Relações Exteriores da Câmara no dia seguinte, para falar de irregularidades em Itaipu que já havia denunciado pela imprensa. No Aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais (PR), Pedroso foi preso. Escudeiro alega que, na ocasião, Pedroso não conseguira passagem para embarcar e lhe passara a mala com documentos para que levasse a Brasília e providenciasse cópias a serem distribuídas aos parlamentares durante a audiência. Segundo a PF, a quadrilha do setor elétrico não chegou a concluir os golpes. O que se sabe é que seus integrantes procuravam empresas que forneciam produtos às estatais elétricas e diziam que havia resíduos a receber daquilo que haviam fornecido tempos atrás. Eles simulavam dívidas e tentavam cobrá-las. A Operação Castores começou em agosto, após denúncia da Itaipu, que relatava indícios de falsificação de documentos e estelionato cometidos por Pedroso. Além dele, foram presos seu sócio na empresa de consultoria CAA, Luís Geraldo Tourinho Costa, o diretor da Della Volpe, José Della Volpe, um intermediário da empresa, Luís Carlos Dias da Silveira Franco, o representante do consórcio, Osvaldo Panzarini, e José Roberto Paquier, assessor do senador Valdir Raupp (PMDB-RO). Os advogados de Escudeiro alegaram à PF que sua ausência ao depoimento do dia 23 deveu-se ao fato de a intimação ter chegado sem que houvesse tempo hábil para seu deslocamento.

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