PF prende 8 dos 15 vereadores de Montes Claros

Agentes da Polícia Federal, numa operação chamada de Pombo Correio, prenderam no início da manhã desta quinta-feira oito dos 15 vereadores da Câmara Municipal de Montes Claros, no norte de Minas. Os parlamentares são suspeitos de utilizar notas frias para receber verba indenizatória de gabinete.Além dos vereadores foram presos também o contador da Câmara, Ivan Fonseca; o ex-funcionário de uma agência franqueada dos Correios, Ranieri Robson Almeida e Erley Ferreira Câmara, que trabalhava em uma empresa que presta serviços para esta agência.Segundo o delegado da Polícia Federal Daniel Souza Silva, um dos coordenadores da operação, as investigações começaram em maio deste ano, depois que de uma denúncia anônima de que os vereadores da cidade estavam utilizando notas fiscais frias para justificar o recebimento da verba indenizatória, que chega a R$ 5 mil por mês. No esquema, cabia a Ranieri a emissão das notas que eram entregues aos parlamentares, com a comprovação de despesas postais em valores muito superiores aos preços dos serviços.Após o recebimento da denúncia, a Polícia Federal chegou a pedir ao presidente da Câmara de Montes Claros, Ildeu Maia (PP), os documentos relacionados à prestação de contas dos vereadores nos últimos três anos.Até o momento, as estimativas são de que o desfalque chegaria a R$ 150 mil.Os agentes já recolheram recibos que comprovam o esquema no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2005.Ranieri Robson Almeida foi demitido da agência franqueada dos Correios em dezembro de 2004, mas possuía blocos de recibos que permitiram a continuidade das fraudes. A PF investiga ainda a suspeita de que os vereadores e o ex-funcionário teriam firmado um acordo para que este assumisse a culpa pelas fraudes.A operação foi iniciada por volta das 6 horas da manhã desta quinta-feira, contando com a participação de 70 agentes da Polícia Federal e 12 delegados, que já possuíam mandados de prisão temporária, expedidos pelo juiz da 1ª Vara Criminal de Montes Claros, Milton Lívio Lema Salles. Os vereadores foram detidos em suas residências.

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