PF prende 7 acusados de desviar seguro-desemprego em MG

Dois servidores estão entre os detidos, presos durante operação da PF; valor da fraude é de R$ 18 mi

Eduardo Kattah, de O Estado de S. Paulo,

01 de abril de 2008 | 20h29

A Polícia Federal desarticulou nesta terça-feira, 1 uma quadrilha acusada de desvio de recursos do seguro-desemprego em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. Sete pessoas, entre elas dois servidores do Ministério do Trabalho e Emprego, foram presas durante a operação Pleno Emprego.  Segundo a PF, o grupo era liderado por contadores, que usavam empresas inativas para inserirem empregados fictícios e gerar o pagamento de parcelas de seguro-desemprego de vínculo empregatício inexistente. O valor da fraude nos últimos cinco anos é estimado em cerca de R$ 18 milhões. Os sete mandados de prisão temporária e os seis de busca e apreensão foram expedidos pela 2ª Vara Federal de Uberlândia. De acordo com o delegado Marinho Silva Rezende Júnior, a quadrilha era chefiada por cinco contadores.  Segundo a PF, a atuação dos servidores públicos nas fraudes se dava mediante o pagamento de propina. Eles inseriam no sistema salários de contribuição mais altos do que os valores de recolhimento e ainda deixavam de fiscalizar a real existência dos vínculos declarados. Na Subdelegacia Regional do Trabalho em Uberlândia foram apreendidos computadores e documentos. "Esse material vai nos instruir nas investigações", ressaltou o delegado.  "A quadrilha utilizava empresas baixadas, inativas e inseria vários empregados fictícios para posteriormente receber o seguro-desemprego. O que nos causou surpresa é que os próprios contadores que engendraram a fraude se inscreveram como beneficiários de empresas inativas".  O prejuízo estimado aos cofres públicos foi calculado pelo próprio Ministério do Trabalho, segundo o delegado. "Essa conta vem da arrecadação de 10% do pagamento do seguro-desemprego aqui em Uberlândia nos últimos cinco anos. A gente vai apurar, vai haver uma auditoria para saber o montante exato." As investigações tiveram início há cerca de três meses, a partir da prisão, em dezembro do ano passado, do coordenador técnico do Ministério do Trabalho, José Jonas de Carvalho. De acordo com a PF, o servidor cobrava de R$ 300 a R$ 400 para liberar o seguro-desemprego num valor maior ao que o beneficiário tinha direito.  Os nomes dos presos não foram divulgados. Eles deverão ser indiciados e poderão responder por falsificação de documento, falsidade ideológica, estelionato e formação de quadrilha. Os suspeitos seriam levados para o presídio Professor Jacy de Assis.

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