PF prende 46 pessoas, sendo 2 ex-deputados

A Polícia Federal de Mato Grosso informou que já foram presas 46 pessoas envolvidas na fraude para a compra de ambulâncias às prefeituras. Entre os presos estão dois ex-deputados: Bispo Rodrigues, que renunciou no caso do mensalão, e Ronivon Santiago, um dos acusados de vender o voto para aprovar a emenda da reeleição do então presidente Fernando Henrique Cardoso. Também estão presos os assessores dos parlamentares Vieira Reis (PRB-RJ), Nilton Capixaba (PTB-RO), Maurício Rabelo (PL-TO), Ney Suassuna (PMDB-PB), Elaine Costa (PTB-RJ), Edna Macedo (PTB-SP), João Mendes (PL-RJ) e pastor Pedro Ribeiro (PMDB-CE). As informações de quebra de sigilo bancário e telefônico, obtidas pela Polícia Federal, confirmam que os assessores desses deputados e senadores participaram do esquema para a liberação de emendas prevendo a aquisição de ambulâncias para os municípios. A Polícia Federal prendeu ainda vários empresários, o ex-funcionário do Ministério da Saúde Jairo Langoni de Carvalho e o funcionário do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Roberto Arruda de Miranda. A fraude beneficiou uma empresa de Mato Grosso, a Planam Comércio e Representações, cujo dono, empresário Darci José Vedoin, está preso. Conforme as investigações, o esquema contou com a colaboração de uma funcionária do Ministério da Saúde, Maria da Penha Lino, responsável pela aprovação dos projetos apresentados pelas prefeituras, pleiteando a assinatura de convênios com o governo federal. Maria da Penha foi funcionária da Planam.A fraude consistiu no superfaturamento dos veículos, que foi viabilizado pela dispensa de licitação, já que os valores dos projetos eram fragmentados de forma a que sempre fossem inferior a R$ 80 mil. Dessa forma foi possível fazer cartas-convites para a Planam e para outras empresas fantasmas, que apresentavam valores ainda mais altos do que a empresa matogrossense.A estimativa preliminar, segundo a PF, é de que a quadrilha tenha movimentado R$ 110 milhões, desde 2001. Hoje ainda a Polícia Federal deverá encaminhar para o Supremo Tribunal Federal, à Procuradoria da República e às mesas da Câmara e do Senado, cópia das investigações, pedindo autorização para investigar diretamente os parlamentares, que são protegidos por imunidade. Este texto foi atualizado às 17h37 para acréscimo de informações

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