Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

PF prende 3 dos 5 investigados por lavagem de R$ 370 milhões envolvendo empreiteira Delta

Um dos presos é o contraventor Carlos Augusto de Almeida Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira, preso em Goiânia

Vinicius Neder, O Estado de S. Paulo

30 de junho de 2016 | 10h37

RIO – A Polícia Federal (PF) prendeu três pessoas na Operação Saqueador, investigação em parceria com o Ministério Público Federal (MPF), que apura a lavagem de R$ 370 milhões e foi deflagrada na manhã desta quinta-feira, 30. Ao todo, a PF cumpre cinco mandados de busca e apreensão e cinco mandados de prisão preventiva no Rio, em São Paulo e em Goiás. A empreiteira Delta está no centro do esquema.

Um dos presos é o contraventor Carlos Augusto de Almeida Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira, preso em Goiânia (GO). O Estado apurou ainda que Cláudio Abreu, funcionário da Delta, também foi presa em Goiás. Em São Paulo, foi preso o operador de propinas Adir Assad, investigado na Operação Lava Jato e já condenado pelo juiz Sérgio Moro a 9 anos e 10 meses de prisão por lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Outra pessoa com a prisão preventiva pedida é Marcelo Abud, que estaria para se apresentar à PF, conforme uma fonte com conhecimento do assunto. Fernando Cavendish, dono da Delta, teve a prisão pedida, mas não foi encontrado pela PF em sua residência, no Leblon, zona sul do Rio.

A PF informou que as investigações da Operação Saqueador já duram três anos. Foram pedidos o indiciamento de 29 pessoas, mas o MPF denunciou 23 à Justiça. Segundo a denúncia do MPF, 96,3% do faturamento da Delta entre 2007 e 2012 foi oriundo de verbas públicas, chegando a R$ 11 bilhões.

A lavagem de dinheiro usava 18 empresas de fachada, segundo o MPF. As empresas fantasmas lavavam os recursos públicos por meio de contratos fictícios, que eram sacados em espécie, para o pagamento de propina a agentes públicos, de forma a impedir o rastreamento das verbas. A nota do MPF não cita o envolvimento de políticos.

Em nota, a PF lembrou que a primeira fase da Operação Saqueador foi deflagrada em outubro de 2013. “Foram cumpridos à época 20 mandados de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Goiás, envolvendo sede e filial de empresa de engenharia, seu controlador e pessoas relacionadas ao suposto esquema criminoso”, diz a nota divulgada nesta quinta-feira.

As investigações que se seguiram apontaram os indícios de transferências milionárias de “referida empresa de engenharia” para sociedades de fachada, “possivelmente desviados de obras públicas”, ainda conforme a nota da PF.A corporação destacou ainda que a investigação teve início a partir do envio de documentação pela Comissão Mista Parlamentar de Inquérito (CPI), instaurada no ano de 2012 para investigar organização criminosa que atuava em Góias. “O material foi imprescindível para o início das investigações na medida em que tais informações nominaram as empresas de fachada que supostamente recebiam valores desviados da pessoa jurídica investigada no inquérito policial”, diz a nota da PF.

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