PF prende 20 suspeitos de fraudar Previdência

Rombo apontado é de R$ 6 milhões, mas pode ser cinco vezes maior

Eduardo Kattah, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2008 | 00h00

A Polícia Federal prendeu ontem 20 pessoas suspeitas de envolvimento com um esquema de fraudes contra a Previdência Social no sul de Minas Gerais e interior de São Paulo. Entre os presos temporariamente durante a Operação Quimera estão servidores públicos, médicos peritos, advogados, agenciadores e beneficiários das fraudes e uma vereadora da cidade mineira de Monte Belo. A PF já identificou um prejuízo de R$ 6 milhões, mas estima que o rombo possa chegar ao montante de R$ 30 milhões. "O segurado, tendo ciência de que não teria direito ao benefício pelos caminhos legais, procurava os agenciadores. Estes, previamente ajustados com os servidores públicos, direcionavam as perícias para os médicos integrantes do esquema, os quais sugeriam deferimento de determinado benefício. Esse grupo tem envolvimento com fraude previdenciária, notadamente auxílio-doença e aposentadoria por invalidez", disse o delegado da PF em Varginha, João Carlos Girotto. De acordo com o Ministério Público Federal, o modo de atuação é similar ao de outras fraudes já desvendadas pelos procuradores, pela PF e pelo setor de inteligência do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em outros municípios mineiros."Segundo se apurou até o momento, o grupo atuava mediante a obtenção de vantagem pecuniária, que é obtida junto aos segurados, como ?custo? pelo acompanhamento de seu pedido junto ao INSS. Os médicos, por sua vez, recebiam pelas consultas que realizam em seus consultórios particulares previamente à realização da perícia", afirma o Ministério Público. Além das prisões temporárias, foram cumpridos 37 mandados de busca e apreensão e ordens de seqüestro de veículos que seriam utilizados pela quadrilha. Em Minas, as ações foram concentradas nas cidades de Alfenas, Monte Belo, Conceição da Aparecida e Serrania, entre outras. Em São Paulo, os policiais cumpriram mandados em Limeira, Jundiaí e no distrito de Ermelino Matarazzo, na capital paulista.Os nomes dos suspeitos presos não foram divulgados. Conforme o delegado, eles poderão responder por crimes de estelionato, inserção de dados falsos nos documentos da Previdência Social, formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva e falsidade ideológica.Segundo a PF, o grupo atuava havia "cerca de cinco anos na perpetração das fraudes". A investigação teve início em novembro de 2007. Após oito meses, a Polícia Federal concluiu pela existência de uma organização criminosa e do esquema de fraudes.Os suspeitos foram levados para o presídio de Três Corações, no sul de Minas. A Justiça Federal em São Sebastião do Paraíso (MG) expediu mandados prisão temporária por cinco dias - que poderá ser prorrogada por igual período ou transformada em prisão preventiva. Por conta da operação, a população de cidades mineiras se deparou ontem pela manhã com agências do INSS fechadas.

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