PF prende 16 pessoas por fraude em obras públicas em AL e DF

Quatro organizações agiam em 55 das 102 cidades de Alagoas e teriam causado R$ 9,6 mi de prejuízo

Ricardo Rodrigues, do Estadão,

12 de novembro de 2007 | 10h54

A Polícia Federal prendeu 16 pessoas na manhã desta segunda-feira, 12, na Operação Carranca, que investigou fraudes em licitações de obras públicas no Estado de Alagoas entre 2004 e 2007. Os agentes cumprem oito mandados de prisão preventiva, 13 mandados de prisão temporária e 51 mandados de busca e apreensão em Maceió e em várias cidades do interior de Alagoas e em Brasília. De acordo com informações extra-oficiais, a PF estaria à caça de políticos envolvidos na fraude, entre eles o prefeito da cidade de Marechal Deodoro, Danilo Dâmaso (PMDB), e de São Luis do Quitunde, Cícero Cavalcante (PDT). O nome dos presos não foi divulgado oficialmente pela Polícia Federal.  "Com a prática desses crimes essas quatro organizações criminosas apropriaram-se ilicitamente de R$ 9,6 milhões oriundos dos cofres públicos federais", afirma a anota da PF. O dinheiro desviado seria investido na construção de escolas, na saúde, educação e em assentamentos do MST. Ainda segundo a nota oficial da PF, o dinheiro obtido ilicitamente era "lavado" por meio da aquisição de casas e apartamentos de luxo, casas de praia, fazendas, gado e automóveis.  Os mandados de busca e apreensão foram expedidos pela 8ª Vara Federal da cidade de Arapiraca, em Alagoas. As investigações tiveram inicio em fevereiro de 2006, e a partir delas foram identificadas quatro organizações criminosas que possuem obras em 55 das 102 prefeituras alagoanas. Para garantir um futuro ressarcimento do prejuízo causado à União, a 8ª Vara Federal decretou o seqüestro de 31 imóveis, 35 veículos e de contas bancárias de 18 pessoas físicas e jurídicas os quais ainda não foram avaliados. A Operação é realizada por uma força-tarefa composta por cerca de 200 agentes da PF, além de funcionário do Ministério Público Federal e da Controladoria Geral da União. Durante toda a manhã era grande a movimentação na sede da PF em Maceió para onde os primeiros presos eram levados.  Os presos foram indiciados pelos crimes de peculato, corrupção ativa e passiva, formação de quadrilha, fraude ao caráter competitivo de licitações, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica, e podem ser condenados a penas de 6 a 40 anos de prisão. Entre os presos estão o presidente da Câmara de Palmeira dos Índios, Val Basílio (PSB), o secretário de obras da prefeitura de Barreira, José Antônio, o dono da construtora Estrela, Cristiano Cintra Mendonça e mais três pessoas cujos nomes foram revelados como Rodrigo Fagroso, Carlos Vanderley e Paulo Ezequiel de Mendonça. Texto alterado às 12h55 para acréscimo de informações.

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