PF prende 15 por suposta compra de votos em Goiás

A Policia Federal (PF) em Goiás prendeu 15 suspeitos, ontem à noite, acusados de participar de um esquema para compra de votos. O grupo estava num salão do Hotel Príncipe, no centro de Anápolis (GO), quando foi flagrado incentivando eleitores a votar em Iris Rezende (PMDB), candidato ao governo do Estado. Em troca, cada eleitor recebeu R$ 50 a título de "ajuda de custo" ou "brinde", o que caracterizou o crime eleitoral.

RUBENS SANTOS, Agência Estado

28 de outubro de 2010 | 18h05

De acordo com o delegado Angelino Alves de Oliveira, o esquema atraía eleitores para uma reunião no hotel, onde assistiam filmetes com a propaganda eleitoral dos candidatos Marconi Perillo (PSDB) e Rezende, que disputam o segundo turno. Depois do filme, os suspeitos criticavam o candidato tucano, mas elogiavam o peemedebista.

"Os presos alegaram participar de uma suposta pesquisa qualitativa de votos", afirmou o delegado. "No momento da detenção, eles recebiam dinheiro num envelope para votar num dos dois candidatos." O artigo 299 do Código Eleitoral (Lei nº 4.737/65) prevê prisão por até quatro anos. Oliveira, porém, diz ainda não ter nenhuma comprovação efetiva de envolvimento do PMDB ou do PSDB no caso.

Nove pessoas recebiam o dinheiro e outras seis conduziam a "entrevista". Todas foram presas em flagrante. Levados para a sede da PF e indiciados por crime eleitoral, seis homens foram recolhidos à Cadeia Pública de Anápolis e nove mulheres foram transferidas, no final do dia, para o Centro Penitenciário de Atividades Industriais do Estado de Goiás (Cepaigo) em Aparecida de Goiânia. Com eles, foram apreendidos R$ 1.292 em dinheiro e um notebook.

Explicação

O Instituto Verus, Assessoria e Pesquisa é liderado por Luis Felipe Gabriel. Durante depoimento, ele disse que "a pesquisa qualitativa de intenção de votos é legal e foi baseada na lei eleitoral". Porém, não respondeu quando questionado para quem trabalhava. Luiz Felipe Gabriel nega ligação ou envolvimento de partidos ou políticos no caso.

O presidente do PMDB no Estado, Adib Elias, confirmou que o instituto foi contratado pelo partido para realizar a sondagem qualitativa em Anápolis (GO). "Eles foram contratados para fazer a pesquisa e toda pesquisa qualitativa é paga", disse. "O PSDB está perdendo e quer ganhar a eleição no grito." Íris Rezende também confirmou saber da existência das pesquisas em andamento em Anápolis.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.