Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

PF pede ao Supremo nova acareação entre Youssef e Costa

Solicitação foi feita nos inquéritos contra o senador Edson Lobão (PMDB) e a ex-governadora do Maranhão Roseana Sarney (PMDB)

Beatriz Bulla, O Estado de S. Paulo

08 de julho de 2015 | 21h51

Brasília - Ao encaminharem ao Supremo Tribunal Federal (STF) os pedidos de prorrogação de prazo das investigações de políticos na Lava Jato, a Polícia Federal falou na necessidade de realizar uma acareação entre o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa, delatores da operação, nos inquéritos que têm como investigado o senador Edison Lobão (PMDB-MA). Em um deles também é investigada a ex-governadora do Maranhão Roseana Sarney (PMDB). 

Incongruências entre os depoimentos de Youssef e Costa têm sido usadas pela defesa de Lobão e Roseana para questionar a abertura de inquérito. Enquanto o ex-diretor afirma ter feito repasses para beneficiar os políticos, Youssef não confirma a entrega do dinheiro e diz que o pagamento pode ter sido realizado através de outro operador.

"A investigação reclama, na busca da verdade, uma acareação entre Alberto Youssef e Paulo Roberto Costa, que pode implicar a harmonia ou o distanciamento das versões por eles apresentadas, sob compromisso de dizer a verdade", escreveu o delegado da PF Felipe Alcântara de Barros Leal. A observação consta no documento enviado ao Supremo um dia depois de Costa e Youssef já terem participado de acareação na Polícia Federal do Paraná. Não há informações, contudo, se na ocasião os dois conseguiram esclarecer divergências no caso de Lobão. 

O inquérito no STF investiga se Roseana foi beneficiada com uma doação de R$ 2 milhões para campanha ao governo do Maranhão de 2010. O dinheiro teria sido solicitado por Lobão, então ministro de Minas e Energia, a Paulo Roberto Costa. Segundo a hipótese da investigação, os valores teriam sido desviados de contratos da Petrobras e sido entregues por operação realizada pelo doleiro Alberto Youssef.

Os inquéritos da Lava Jato, à exceção de dois casos, foram prorrogados até o final de agosto pelo ministro Teori Zavascki, atendendo solicitação da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República. Não foram prorrogadas as investigações acerca do senador Antônio Anastasia (PSDB-MG) e o inquérito que investiga o deputado Arthur Lira (PP-AL) e o senador Benedito Lira (PP-AL).

Ao pedirem mais prazo ao STF, policiais argumentam que as diligências não se encerraram e destacam a necessidade de analisar todo o material apreendido e produzido no contexto da Lava Jato na Justiça Federal do Paraná, que conduz parte das investigações. "Com relação ao material apreendido no âmbito da Operação Lava Jato no Paraná sua análise se mostra imprescindível para o esclarecimento dos fatos investigados. Duas das nove fases ostensivas da Lava Jato concentram-se em medidas envolvendo empreiteiros e operadores, restando aprofundamento dos elementos de prova já colhidos sob a ótica da presente investigação, que envolve o núcleo político do esquema criminoso", escrevem os delegados da PF. Os pedidos de prorrogação de prazo foram encaminhados ao STF no final de junho e entraram nesta quarta-feira, 8, no sistema do Tribunal.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.