PF pede quebra sigilo telefônico do jornal Folha de S. Paulo

O delegado da Polícia Federal, Diógenes Curado Filho, responsável pela investigação da operação de compra do dossiê pelo PT contra políticos tucanos, chegou a pedir a quebra do sigilo dos extratos telefônicos do jornal Folha de S. Paulo no período de agosto e setembro. Ele afirma que o pedido de quebra de sigilo não foi intencional e, por isso, os dados referentes ao jornal foram descartados ?por não serem objeto de investigação?. Um dos números de telefone da Folha de S. Paulo - um ramal instalado em um dos comitês de imprensa do Congresso, em Brasília - constava da memória de um dos aparelhos celulares de Gedimar Passos, preso no dia 15 de setembro no Hotel Íbis, em São Paulo, com parte do dinheiro destinado à compra do dossiê. O delegado diz que o pedido de quebra do sigilo dos extratos à Justiça não foi intencional. Com o objetivo de dar agilidade às investigações, Curado requereu à Justiça Federal de Mato Grosso um pedido de quebra dos sigilos telefônicos de Gedimar Passos e de dos extratos e cadastros, de uma só vez, de todos os telefones que trocaram chamadas com os aparelhos em poder dele identificados pela perícia da PF. O diretor jurídico da Folha, Orlando Molina, disse que pedirá à Justiça que revogue a autorização de quebra, alegando ?monitoramento abusivo das atividades jornalísticas?. ?A quebra configura violação do sigilo de fonte garantido pela Constituição.? Informação descartada Tais números constavam de um laudo pericial feito pelo Instituto Nacional de Criminalística. "Quando fiz o pedido, não sabia de quem eram os telefones apontados no laudo. Quando os extratos e os cadastros chegaram, verifiquei que os telefonemas da Folha da Manhã (nome do grupo ao qual pertence o jornal Folha de S. Paulo) eram posteriores ao fato (a prisão de Gedimar Passos, em 15 de setembro). Segundo Curado, a PF não encaminhou qualquer pedido solicitando dados cadastrais dos telefones que constavam nos extratos do ramal da Folha. "Imagino que eles (os repórteres do jornal) tentaram falar com Gedimar, mas os aparelhos já estavam apreendidos", disse. Ou seja, embora a PF diga que não pediu informações sobre os interlocutores do ramal do comitê da Folha nos meses de agosto e setembro, de forma indireta, sabe o nome de parte deles: daqueles suspeitos de envolvimento no esquema de compra do dossiê que tiveram seus sigilos quebrados. Por exemplo, Hamilton Lacerda, ex-assessor de campanha do senador Aloízio Mercadante, os ex-dirigentes do comitê de campanha do presidente Lula Oswaldo Bargas, Jorge Lorenzetti, Expedito Veloso, e o ex-segurança de Lula, Freud Godoy. Destes, a PF possui dados cadastrais completos e extratos. Segundo informou a assessoria da PF, até o final das investigações os extratos telefônicos do ramal do jornal serão devolvidos ao juiz Jefferson Schneider, da 2a Vara da Justiça Federal do Mato Grosso, onde tramita o inquérito, acompanhados da informação de que são imprestáveis à investigação.

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