PF pede quebra de sigilo de Protógenes

Corregedoria investiga delegado por supostos abusos durante ação

Fausto Macedo, O Estadao de S.Paulo

09 de março de 2009 | 00h00

A Polícia Federal pediu a quebra do sigilo telefônico do delegado Protógenes Queiroz, mentor da Satiagraha - investigação contra o banqueiro Daniel Dantas, do Grupo Opportunity.A PF quer identificar chamadas e mensagens feitas e recebidas por Protógenes durante período de 5 meses, entre julho e novembro de 2008. Ele é o alvo maior de inquérito da Corregedoria da PF que corre sob segredo de Justiça. O inquérito apura supostos abusos do delegado que prendeu Dantas duas vezes, no auge da Satiagraha.O acesso aos contatos reservados do delegado é o passo final da PF no cerco que realiza a Protógenes. O rastreamento pedido à Justiça Federal abrange todas as suas linhas fixas e móveis. A PF atribui a Protógenes quebra de sigilo funcional, emprego ilegal de arapongas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e monitoramento clandestino de autoridades, políticos, advogados e jornalistas.Dados apurados pela PF mostram que podem ter caído na malha fina de Protógenes o senador Heráclito Fortes (DEM-PI), o ministro Geddel Vieira (Integração Nacional), a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), o ex-ministro José Dirceu, o secretário particular do presidente Lula, Gilberto Carvalho, e o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, entre outros.Aos arapongas da Abin, estranhos aos quadros da PF, o delegado confiou trabalhos de escuta e análise de documentos protegidos pelo sigilo. Pelo menos 84 agentes e oficiais de inteligência foram mobilizados na Satiagraha. A Corregedoria quer mapear os contatos de Protógenes porque pretende descobrir com quem ele se comunicou na véspera da Satiagraha e nos dias que antecederam as buscas em seus endereços.As buscas ocorreram na madrugada de 5 de novembro e atingiram 5 apartamentos de Protógenes e seus familiares, em São Paulo, no Rio e em Brasília. Na ocasião, a PF apreendeu celulares, lap top e dois pen drives de seu uso pessoal.Peritos federais abriram os arquivos secretos de Protógenes e reconstituíram seus passos e métodos de ação. A PF está convencida de que o delegado fez espionagem sem respaldo judicial Os pen drives - um de 2 gigabytes, outro de 8 - foram localizados no apartamento 2.508 do Hotel Shelton Inn, no centro de São Paulo, ocupado pelo delegado. Para decodificar o conteúdo das pastas, os peritos recorreram ao Sistema de Acesso Remoto de Dados, técnica empregada nesse tipo de varredura. Alguns arquivos ainda não foram deslacrados porque estão criptografados.A PF já produziu três relatórios confidenciais sobre Protógenes. Os documentos formam a principal prova contra o delegado, que deverá ser indiciado criminalmente. Documento interno da corporação indica envolvimento do criador da Satiagraha em "delitos de extrema gravidade" - vazamento de informações antes da deflagração da operação; ocorrência de gravações clandestinas de vídeo e áudio; filmagens e interceptação de conversas telefônicas e possível escuta ambiental; uso de senhas concedidas exclusivamente a agentes da PF, mas intensamente utilizadas por servidores da Abin.Outro relatório confidencial da PF aponta em 12 páginas como o delegado agiu sem respaldo judicial e mobilizou agentes e oficiais da Abin para a Satiagraha. São transcritos trechos de depoimentos de arapongas e colegas do próprio Protógenes.

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