PF pede prorrogação da prisão de Duque e presidentes da OAS e UTC

Solicitação encaminhada nesta terça ao juiz Sergio Moro indica ainda que executivos sabiam com antecedência da deflagração da sétima etapa da Lava Jato

Fabio Brandt, O Estado de S. Paulo

18 de novembro de 2014 | 16h46

Atualizado às 17h16

Brasília - O delegado Márcio Adriano Anselmo, chefe da Operação Lava Jato, pediu nesta terça-feira, 18, a prorrogação das prisões temporárias de Renato Souza Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobrás, do presidente da OAS, José Aldemário Pinheiro Filho, e do presidente da UTC, Ricardo Ribeiro Pessoa.

Eles foram presos na última sexta-feira na sétima fase da Operação Lava Jato, que começou como uma investigação dos negócios ilegais do doleiro Alberto Yousseff e hoje é conhecida por ter revelado um suposto esquema de corrupção existente dentro da Petrobrás.

Indicado ao cargo pelo PT, Duque era responsável pela diretoria por onde passavam todas as licitações da estatal. As investigações da PF indicam que era por meio destes contratos da Petrobrás que havia pagamento de propina ao PT e a outros partidos.

O delegado Márcio Anselmo também pediu à Justiça Federal que prorrogue a prisão temporária de Mateus Coutinho de Sá Oliveira, funcionário da OAS em São Paulo, de Alexandre Portela Barbosa, advogado da OAS, e de Walmir Pinheiro Santana, da UTC.

Em documento endereçado ao juiz federal da 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba, Sérgio Moro, o delegado justificou sua solicitação dizendo que a investigação tem "grande complexidade" dada "a estrutura de desvio de recursos públicos, mediante possível cartelização e fraudes em procedimentos licitatórios, bem como a exigência de vantagens ilícitas a agentes públicos, com a estruturação de complexa rede de atuação para a lavagem dos valores".

"Destaque-se ainda que foi arrecadado grande quantidade de material no curso das diligências de busca e apreensão, que demandam análise, ao menos preliminar, para eventuais esclarecimentos dos presos", afirmou o delegado.

A prisão temporária dura cinco dias prorrogáveis por outros cinco. As primeiras prisões da sétima fase da Lava Jato, realizadas na última sexta-feira, vencem nesta terça. Por isso o delegado se manifestou sobre a prorrogação.

Para outros nove presos, Anselmo se manifestou pela soltura. Estão nesse grupo Ednaldo Alves da Silva e Carlos Alberto da Costa Silva (UTC); Carlos Eduardo Strauch Albero e Newton Prado Júnior (Engevix); Otto Garrido Sparenberg e Valdir Lima Carreiro (Iesa); e Jayme Alves de Oliveira Filho, policial federal que trabalhava para Alberto Yousseff.

Outro dois presos, Danton dos Santos Avancini, presidente da Camargo Corrêa, e João Ricardo Auler, presidente do conselho da Camargo Corrêa, só se entregaram no sábado e, por isso, os cinco dias só vencem para eles nesta quarta-feira.


Vazamentos. O delegado também registrou em documento enviado à Justiça federal nesta terça, indícios de que os investigados na Operação Lava Jato sabiam previamente das buscas e apreensões realizadas na última sexta-feira.

"No curso do cumprimento dos mandados de busca e apreensão na empresa OAS, os policiais foram surpreendidos, quando chegaram na madrugada, com a presença de três advogados no local", afirmou Anselmo em documento enviado ao juiz federal Sérgio Moro. Ele anexou o auto circunstanciado escrito à mão pelos policiais que realizam a busca na empresa.

Ele também registrou um segundo fato como indício de vazamento da ação policial: a viagem realizada pelo presidente da OAS, José Aldemário Pinheiro Filho, que reside em São Paulo, para a cidade de Salvador na noite de quinta-feira, véspera das buscas e apreensões.

"Assim, os elementos indicam que teria ocorrido o vazamento das diligências a serem empreendidas nos locais de busca", afirma o delegado.

 

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