PF pede mais 30 dias para apurar desvio de selos no RS

Selos comprados a mais eram repassados ao mercado com deságio; rombo chegou a R$ 3,3 milhões

03 de agosto de 2007 | 20h01

A Delegacia de repressão a Crimes Fazendários (Delefaz), da Polícia Federal, pediu nesta sexta-feira, 3, à 2ª Vara Federal Criminal de Porto Alegre mais 30 dias para concluir o inquérito que apura fraude dos selos postais da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul. O delegado Andrei Augusto Passos Rodrigues solicitou a prorrogação para averiguar se outras pessoas participaram do esquema.   A comissão de sindicância que também investigou o caso concluiu na última quinta-feira que o ex-diretor de Serviços Administrativos Ubirajara Amaral Macalão agia sozinho, sem participação de deputados no esquema. O relatório foi apresentado nesta quarta-feira, 1º, depois de 28 dias de trabalho. O desfalque nos cofres públicos aproximou-se de R$ 3,3 milhões.   Segundo a PF, além do servidor da Assembléia, as investigações apontaram para um outro suspeito. Até o momento, 19 pessoas já foram ouvidas no caso, entre elas servidores da Assembléia, Correios e testemunhas.   A PF também já recolheu, por meio de dois mandados de busca, 232 mil selos avaliados em R$ 175 mil, documentos, um colete similar ao de policiais, duas supostas carteiras de detetives, um computador e um HD da Assembléia. Estes dois últimos dependem de uma autorização judicial para serem periciados. O material foi apreendido em Porto Alegre e no litoral gaúcho. A segunda fase do inquérito transcorrerá em sigilo.   Esquema   Segundo a comissão de sindicância, usando seu cargo, Macalão comprava selos desnecessários à emissão de correspondência da casa, registrada por duas máquinas franqueadoras. Depois adulterava a fatura emitida pelos Correios. Quando chegava à contabilidade, a nota descrevia somente o serviço das máquinas franqueadoras. Os selos pagos pelos cofres públicos eram repassados ao mercado com deságio.   Em seus depoimentos, Macalão chegou a dizer que agiu sob pressão de assessores de sete ex-deputados do PTB, PP, PT, PDT e PSDB, mas mudou sua versão diversas vezes e admitiu que se beneficiava da fraude depois que a Polícia Federal encontrou uma grande quantidade de selos escondida numa casa que usava para veranear.   Quatro ex-parlamentares já anunciaram que vão processar o servidor. A comissão pediu a abertura de processo administrativo para demissão de Macalão. O caso ainda não está encerrado. A Polícia Federal segue investigando se houve participação de funcionários dos Correios e quem eram os compradores dos selos.

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