PF ouve secretário de Dilma sobre dossiê tucano nesta terça

José Aparecido teria enviado cópia da planilha a assessor de tucano; secretário deve ser convocado na CPI

Eugênia Lopes, Vera Rosa, Vannildo Mendes e Sônia Filgueiras, de O Estado de S. Paulo,

13 de maio de 2008 | 11h28

O secretário de Controle Interno da Casa Civil, José Aparecido Nunes Pires, vai depor nesta terça-feira, 13, à Polícia Federal sobre o vazamento de cópia da planilha com gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e da ex-primeira-dama Ruth Cardoso. O assessor do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), André Fernandes, confirmou na última segunda à PF ter recebido de Aparecido os dados sobre gastos de FHC e da mulher.   Veja também: Veja o dossiê com dados do ex-presidente FHC  Entenda a crise dos cartões corporativos  Dossiê FHC: o que dizem governo e oposição Oposição anuncia nova ofensiva para levar Dilma à CPI Defesa de acusado de fazer o dossiê irá mirar braço direito de Dilma   Fernandes contou ao delegado Sérgio Menezes, encarregado do inquérito, que os dados vieram em dois arquivos anexados num só e-mail, em 20 de fevereiro. O assessor disse ter ficado perplexo com os dados, os quais considerou espécie de ameaça velada aos parlamentares de oposição - que, à época, pressionavam pela publicação dos gastos reservados de Lula. O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), disse na última segunda que Aparecido teria se demitido do cargo.   A CPI dos Cartões deve aprovar nesta terça o requerimento de convocação de Aparecido e de André Fernandes. A comissão quer ainda convocar a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, para explicar o dossiê.   Com a ida do secretário demissionário à CPI, o governo tenta evitar novos desgastes, além de indicar que não teme o depoimento. André e Aparecido devem depor ainda esta semana. 'Somos favoráveis ao depoimento de Aparecido porque, se ele não for, vão dizer que o governo esconde algo', afirmou o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro. Indagado se a decisão de pôr Aparecido diante dos parlamentares não seria arriscada, devolveu a pergunta: 'Mas o que não é risco? Dos perigos, antes o conhecido.'   A estratégia foi decidida após várias conversas de Múcio com auxiliares do presidente Lula e o líder do governo no Senado, Romero Jucá (RR). 'A orientação do governo é para os dois (Aparecido e André) irem à CPI. E os dois devem depor no mesmo dia', comentou Jucá, que também repassou a tática com a líder do governo no Congresso, Roseana Sarney (PMDB-MA). 'É questão de simbologia. O governo quer pagar para ver; não teme nada.'   Os petistas, que a princípio fizeram restrições à convocação de Aparecido, mudaram de idéia. 'Estamos diante de situação sem saída: eles (Aparecido e André) têm de ir à CPI se explicar. Senão, a CPI se desmoraliza', disse o relator da comissão, Luiz Sérgio (PT-RJ).

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