PF obtém quebra de sigilo de caseiro e poupa Bastos

A Polícia Federal informou nesta segunda-feira que obteve autorização judicial para devassar as contas do caseiro Francenildo dos Santos Costa, o Nildo, que denunciou freqüentes incursões do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci à mansão no Lago Sul.A decisão foi tomada pela juíza Maria de Fátima Pessoa, da 10.ª Vara Federal. Ela acolheu pedido do delegado Rodrigo Carneiro Gomes, que conduz inquérito sobre a violação do sigilo do algoz de Palocci. A solicitação havia sido formalmente apresentada pela PF logo que a investigação teve início, há cerca de 20 dias.Ao mesmo tempo, a PF decidiu poupar seu chefe, o ministro Marcio Thomaz Bastos, da Justiça, e anunciou que não vai chamá-lo para depor no inquérito. Bastos teria participado de reunião na residência de Palocci para orientar seu ex-colega de ministério sobre a melhor forma de escapar ao cerco policial.O raciocínio do delegado Gomes, que teve autonomia para indiciar Palocci e também Jorge Mattoso, presidente da Caixa Econômica Federal, vai nessa linha: o encontro ao qual o ministro da Justiça teria comparecido, dia 23, ocorreu uma semana depois do vazamento dos dados relativos à movimentação financeira do caseiro.Esse intervalo de 7 dias, para a PF, justifica tecnicamente a desnecessidade de ouvir o ministro da Justiça porque o inquérito apura ?fato determinado?, qual seja, a violação do sigilo, e não a linha de defesa que Palocci montou.A invasão ilegal dos extratos de Nildo, ocorrida a 16 de março, dia em que ele ingressou no Programa de Proteção à Testemunha - sob responsabilidade da própria PF - revelou depósitos de R$ 24, 9 mil em sua conta. Ele informou que o dinheiro foi repassado por seu pai, que mora em Terezina (PI). O caseiro abriu mão espontaneamente de seus dados confidenciais.?Prova suficiente?Logo que instaurou o inquérito, o delegado Rodrigo Gomes encaminhou à Justiça três pedidos referentes a medidas que considerava fundamentais para sua investigação. Ele solicitou: ordem para busca e apreensão na sede da Caixa Econômica Federal, quebra do sigilo do lap top de um funcionário da instituição e livre acesso aos dados bancários e telefônicos de Nildo.Todos os pedidos, segundo a PF, foram acatados pela Justiça. A PF informou que o delegado não vê mais importância em vasculhar o prédio da Caixa e deu duas razões para isso: o banco estaria colaborando com a apuração e a documentação até aqui reunida já produziu ?prova suficiente? do crime que está sendo investigado, a violação do sigilo.A PF não comentou, porém, sobre como pretende agir em relação à permissão que obteve para conhecer origem e destino dos recursos que passaram pela conta de Nildo. A corporação não pode, por força de ordem judicial, investigar o caseiro por suposta lavagem de dinheiro, mas agora tem caminho aberto.

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