PF nega troca de comando, mas assume inquérito contra nº 2

Corregedoria comandará a parte da Toque de Midas que envolve denúncias contra o delegado Romero Menezes

da Redação,

19 de setembro de 2008 | 10h24

A Polícia Federal negou nesta sexta-feira, 19, a troca no comando da Operação Toque de Midas, que resultou na prisão do delegado Romero Menezes, número dois na hierarquia da instituição. Segundo informações oficiais, a Corregedoria-Geral da PF instaurou procedimento administrativo para apurar eventuais desvios de conduta que teriam sido cometidos por Menezes, apontados por investigações da Superintendência Regional do Amapá.  Na prática, a Corregedoria informa que conduzirá a parte do inquérito sobre os indícios de irregularidades e infrações que teriam sido cometidos pelo delegado, seguindo normas o regimento interno da PF.  A outra parte da investigação, que trata das fraudes em processo licitatório de concessão da estrada de ferro do Amapá, continuariam sob o comando da Superintendência Regional. Veja Também:Grampos: Entenda a crise Delegado não volta mais ao posto de número 2 da PFNúmero dois da PF é solto após Justiça revogar prisãoTarso diz que prisão do número 2 da PF foi desnecessária Na terça-feira, Menezes foi preso por ordem judicial sob suspeita de vazamento de informações e prática dos crimes de advocacia administrativa, corrupção passiva e tráfico de influência. Ele foi libertado em virtude de habeas corpus concedido pelo Tribunal Regional Federal 1ª Região ( Brasília). Por conta das acusações, o delegado não volta mais ao posto de número dois. No topo de carreira, com salário de pouco mais de R$ 20 mil, após 32 anos de serviços à instituição, como agente e delegado, ele atingiu tempo de aposentadoria e anunciou que vai fazer isso assim que terminar o inquérito, do qual tem certeza que sairá inocentado. Ele havia sido nomeado pelo diretor-geral, Luiz Fernando Corrêa.  Menezes é suspeito de favorecer seu irmão José Gomes de Menezes Junior. Grampos mostrariam o delegado pressionando o superintendente da PF no Amapá, Anderson Rui Fontel de Oliveira. De acordo com informações do Ministério Público, nas conversas, gravadas com autorização judicial, o segundo homem na hierarquia da PF reclama da demora de Fontel em concluir o processo em que o irmão pede o credenciamento como instrutor de tiro. As conversas indicariam ainda que Menezes estaria articulando o afastamento do superintendente do cargo, caso a exigência não fosse atendida. O Ministério Público suspeita também que Menezes possua participação oculta em negócios da empresa Servi-San tocados pelo irmão. Parte da clientela da empresa teria sido conquistada no Estado graças às conexões com a cúpula da Polícia Federal. O Ministério Público Federal no Amapá suspeita do envolvimento do governador Waldez Góes (PDT) em fraudes na licitação para concessão da ferrovia. São apontados indícios de ligações do governador com organização criminosa que também sonegava e desviava ouro lavrado nas minas do interior do Amapá. As suspeitas também recaem sobre o deputado Jurandil Juarez (PMDB-AP), ex-secretário de Planejamento, Orçamento e Tesouro do governo Waldez.A Procuradoria da República requereu em agosto à Justiça Federal em Macapá a remessa ao Supremo Tribunal Federal (STF) do inquérito Toque de Midas. O deputado tem foro privilegiado e o STF é a instância que detém competência exclusiva para abrir investigação criminal contra ele. Segundo o Ministério Público, a Justiça ainda não decidiu se envia o caso ao Supremo. ConcessãoA Estrada de Ferro Amapá (EFA) foi construída na década de 50 para transporte de minério de manganês extraído e beneficiado na Serra do Navio e embarcado para exportação pelo Porto de Santana. Sua extensão é de 194 quilômetros.Em março de 2006 a MMX Mineração e Metálicos assumiu o controle da ferrovia, após vencer licitação que prevê concessão de 20 anos. A MMX é uma empresa do grupo EBX, de Eike Batista, alvo da Toque de Midas. O valor total do negócio chegou a R$ 158 milhões. A MMX assumiu obrigação investir R$ 40, 7 milhões na ferrovia e ofereceu garantias de R$ 7,8 milhões.A PF alega ter identificado "indícios de direcionamento" na concorrência para favorecer a MMX. A investigação cita ajuste prévio de cláusulas que só poderiam ser cumpridas pela mineradora habilitada. A vencedora foi a Acará Empreendimentos, também do grupo EBX, que depois repassou o contrato à MMX.Todo o procedimento sob suspeita foi conduzido por Jurandil Juarez, homem de confiança de Waldez Góes. O parlamentar é citado em outra operação federal, a Antídoto, desencadeada em 2006, que descobriu rombo de R$ 40 milhões na saúde do Amapá. Na ocasião, um empresário distribuidor de medicamentos, em depoimento à PF, afirmou que pagava propinas a Jurandil para que ele liberasse o pagamento de faturas de sua empresa.var keywords = "";

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