PF nega tentativa de abafar prisões de envolvidos no dossiê

O Ministério da Justiça e a Polícia Federal (PF) negaram nesta quinta-feira, 2, que tenha ocorrido uma operação para tentar abafar as prisões de Gedimar Passos e Valdebran Padilha, dois "aloprados" do PT envolvidos na tentativa de compra do dossiê Vedoin. Em depoimento ao Ministério Público, o delegado federal Edmilson Pereira Bruno disse que superiores seus teriam procurado abafar as prisões e que o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, teria se preocupado com eventual menção pelos presos ao nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.A assessoria de imprensa do Ministério da Justiça repetiu nesta quinta que o órgão não interfere nas investigações da PF. "A orientação para a Polícia Federal é atuar, em todas as operações, com impessoalidade e sem proteger ninguém", respondeu a assessoria. Já a da Polícia Federal disse que o órgão está cumprindo o seu papel institucional. Também ressaltou que Bruno não era o responsável pelo caso já que o inquérito está sendo presidido por um delegado de Cuiabá. Bruno apenas estava de plantão no dia das prisões.No depoimento prestado ao Ministério Público, Bruno contou que foi advertido pelo diretor da PF em São Paulo, Severino Alexandre, no dia 15 de setembro, antes de sair para o Hotel Ibis Congonhas, onde ocorreram as prisões. "Olha bem o que você vai fazer. Está mexendo com peixe grande. Tudo o que fizer será responsabilidade sua", teria dito o superior.Bruno informou que o superintendente da PF entrou em contato com Márcio Thomaz Bastos após as prisões. Segundo ele, o superintendente teria dito que não seriam tiradas e divulgadas fotografias do R$ 1,75 milhão apreendido e que supostamente seria usado para a compra do dossiê contrário a tucanos.

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