PF nega pressão na operação que investiga filho de Sarney

Investigado na operação denominada Boi Barrica, o empresário Fernando Sarney foi indiciado em quatro crimes

Eduardo Kattah, de O Estado de S.Paulo,

30 de julho de 2009 | 12h38

O diretor-geral da Polícia Federal, delegado Luiz Fernando Corrêa, assegurou nesta quinta-feira, 30, que a instituição não sofre qualquer tipo de pressão política no âmbito da Operação Faktor (originalmente denominada Boi Barrica), que investiga o empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

 

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"As pressões, se estão acontecendo, nós estamos bem protegidos e a maior proteção da Polícia Federal é a qualidade da prova. Eu costumo dizer que se nós tivermos uma prova robusta não interessa quem seja o investigado. Quem se insurgirá contra uma prova técnica robusta? E essa é a regra na Polícia Federal e é o nosso conforto".

 

O filho de Sarney já foi indiciado em quatro crimes: tráfico de influência, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e falsidade ideológica.

 

Corrêa considera um "folclore" as especulações de que o presidente do Senado poderá optar por renunciar ao cargo caso conclua que a permanência e o prolongamento da crise contribuirá para piorar a situação de seu filho. Da mesma forma, o diretor-geral da PF não acredita que Sarney tenha decidido concorrer à presidência da Casa para tentar proteger os familiares na investigação.

 

"A operação segue normalmente e acho que isso prova que talvez tenha um pouco de folclore aí, que um ex-presidente reduziria assumir um cargo relevante no País em razão de uma operação. Não creio nisso", observou. "Se não vale para chegar não vale para... A Polícia Federal não opera motivada por questões políticas e partidárias. Ela investiga fatos e não pessoas. E fatos criminosos, não fatos políticos".

 

As supostas queixas de Sarney quanto ao vazamento de gravações telefônicas em que ele, o filho Fernando e a neta Maria Beatriz Sarney intercedem pela contratação do namorado da jovem, segundo Corrêa, não chegaram até a PF. O conteúdo das interceptações telefônicas realizadas com autorização judicial foram reveladas pelo Estado. "As conversas em nível de chefe de poder, elas transitam entre as chefias dos poderes e, no máximo, até o ministro", afirmou.

 

O ministro da Justiça, Tarso Genro, já afirmou que a PF não foi responsável pelo vazamento, ressaltando que as interceptações foram divulgadas depois que o processo seguiu para o Ministério Público e ficou à disposição das partes interessadas. Tarso chegou a dizer que o segredo de Justiça "praticamente terminou no País".

 

Democracia

 

Corrêa se recusou a tratar do caso pontualmente. Segundo o diretor-geral, o sucesso das investigações da PF está justamente no sigilo. Ele salientou, porém, que no momento em que o inquérito se transforma em processo, "a regra é a publicidade". "Aí, dependendo do fato e das pessoas envolvidas, ganha uma repercussão maior ou menor na opinião pública. E interesse da imprensa, que eu acho que faz parte do debate, isso é da democracia".

 

O diretor-geral reiterou que a PF "se pauta e luta" para que cada vez mais seja preservado o sigilo da investigação. "A Polícia Federal não divulga. Esses casos não são de meses, são de anos e dificilmente quando está única e exclusivamente sob controle da Polícia Federal nós temos vazamentos".

 

Corrêa garante que a PF está blindada de processos de ingerência política, não "por uma questão só de postura do atual governo". "A instituição se firmou de uma maneira tal que não se permite", afirmou o diretor-geral, que prestigiou em Belo Horizonte a solenidade de posse do novo superintendente regional da PF em Minas Gerais, Jerry Antunes de Oliveira. O novo superintendente substitui o delegado Marcos Salem, que deixou o cargo no início do mês para assumir a diretoria de Inteligência da corporação.

 

Texto atualizado às 17h30

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