PF não vai usar dados da Abin, promete Tarso

Segundo o ministro, investigação só atingirá o que tinha vinculação com o trabalho dos arapongas que ajudaram Protógenes na Satiagraha

Denise Madueño, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

12 de novembro de 2008 | 00h00

A Polícia Federal não vai usar "documentos sensíveis" com informações de Estado apreendidos na semana passada em dependências da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), no Rio e em São Paulo, nas investigações sobre a maneira como foi conduzida a Operação Satiagraha pelo delegado Protógenes Queiroz. Só será usado no inquérito aquilo que estava com a Abin e se relaciona com o trabalho dos arapongas que ajudaram os agentes da PF e Protógenes na Satiagraha.A promessa foi feita ontem pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, depois que o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência (GSI), general Jorge Félix, manifestou preocupação com relação ao sigilo dos dados existentes no material apreendido, destacando que a Abin detém informações "sensíveis do Estado brasileiro".Félix pediu a Tarso que os computadores e outros equipamentos apreendidos pela PF sejam abertos e tenham os documentos manuseados com acompanhamento de funcionários da Abin. No fim da tarde, o GSI divulgou nota informando que Tarso havia concordado com o acompanhamento e assegurado que os computadores ainda estão lacrados.Durante visita ao Congresso, o ministro da Justiça disse que não há "nenhuma relação de controvérsia" entre o GSI, a quem a Abin é vinculada, e o Ministério da Justiça, que tem PF sob seu comando. Segundo Tarso, Félix argumentou que poderiam estar nas mãos da PF documentos que não são relacionados com o inquérito sobre a Operação Satiagraha e precisam ter seu sigilo preservado.O ministro negou que a PF tenha cometido algum erro na apreensão de documentos e disse que os agentes cumpriram mandado judicial. "Estamos dando garantia ao ministro Félix de que não haverá perigo de serem abertos documentos com informações que tenham de ser preservadas", disse Tarso, ao deixar o gabinete do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP). Segundo ele, o encontro com Chinaglia foi para tratar da votação de projetos de interesse de seu ministério.SENHASTarso evitou comentar a revelação feita pelo Estado de que agentes da Abin que trabalharam na Operação Satiagraha teriam usado senhas restritas a policiais federais para entrar no sistema Guardião, a máquina de grampos da PF. O ministro disse apenas que o fato é objeto de apuração. Ele reafirmou ainda que a investigação da corregedoria da PF sobre irregularidades na condução da Satiagraha não tirou o foco das apurações contra o banqueiro Daniel Dantas, alvo da operação da Polícia Federal.Segundo Tarso, o primeiro inquérito a respeito de Dantas já está na Justiça e um segundo deve ser enviado em breve. "O trabalho está finalizado", afirmou o ministro. "Não há protecionismo nem para os agentes nem para o objeto dos inquéritos."

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