PF não protegerá ninguém do PT, afirma Tarso

Greenhalgh telefonou para o ministro reclamando de envolvimento em ?espetáculo? de pirotecnia da polícia

Vera Rosa, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

14 de julho de 2008 | 00h00

O ministro da Justiça, Tarso Genro, disse ontem que as investigações da Operação Satiagraha não protegerão ninguém do PT, como afirma o banqueiro Daniel Dantas, caso sejam descobertas ilegalidades envolvendo integrantes do partido. O recado foi transmitido ao ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT), advogado de Dantas, que teve um diálogo ríspido por telefone com Tarso, na terça-feira, quando a operação foi deflagrada. Depois de ter a prisão pedida pela PF, mas recusada pela Justiça, Greenhalgh ligou para o colega petista. Furioso, disse que, se fosse ministro, jamais envolveria seu nome num "espetáculo" de pirotecnia como aquele."Essa observação pressupõe que o ministro da Justiça deve proteger pessoas do partido", afirmou Tarso. O ex-deputado teve conversas grampeadas pela PF e, numa delas, pediu a intermediação de Gilberto Carvalho, chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na avaliação de Tarso, possíveis abusos cometidos em investigações desse porte somente serão resolvidos quando o Congresso votar o projeto que impõe maior controle às escutas telefônicas. "Nossa proposta torna a escuta menos invasiva e menos agressiva." A seguir, os principais trechos da entrevista.GREENHALGH E O PT"Eu não me lembro exatamente qual foi a frase que ele usou. Estava muito nervoso quando me telefonou, na terça-feira, e falou seguidamente por cinco ou seis minutos. Se falou isso, está equivocado, porque essa observação pressupõe que o ministro da Justiça deve proteger pessoas do partido. Isso jamais vai acontecer. Eu pedi a ele que se acalmasse. Disse que a Polícia Federal é autônoma e que não posso informar sobre conteúdo do inquérito. Perguntei: ?Como tu estás vinculado a isso?? Ele me respondeu que era advogado do Daniel Dantas. Pedi, depois, informações ao diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, e o que existe é o que já foi divulgado: pessoas foram grampeadas naquela operação. No mesmo dia, à tarde, telefonei para Greenhalgh, que já estava bem mais tranqüilo. Falei para ele fazer uma queixa formal, se considerasse que tinha havido excessos. Não acho que ali (nas conversas) tenha qualquer tipo de delito. Era um advogado buscando informações. E sem sucesso." LULA"Conversei com o presidente na sexta-feira. Falei das polêmicas, sim. Ele está acompanhando os fatos." TRABALHO DA PF"O inquérito foi eficiente, acompanhado pelo Ministério Público. Agora, certamente o Congresso vai reagir. Faz alguns meses que mandamos para o Congresso a lei das escutas telefônicas, que impõe maior controle sobre os grampos. Eu considero equivocada essa visão de que existem excessos de grampos. De qualquer forma, se essa proposta tivesse sido votada, certamente alguns erros poderiam ser evitados. O projeto torna a escuta menos invasiva e menos agressiva." DANTAS: PROVAS"Quem tem de provar (a culpa de Dantas) é o Estado, mas existem provas robustas e, na defesa, ele terá de apresentar suas explicações. A própria tentativa de corromper um delegado demonstra que as provas são fortes."JUDICIÁRIO E PF"Não existe guerra. Sou aliado do presidente do STF, Gilmar Mendes, e o fato de eventualmente termos opiniões diversas, de natureza política, é normal na democracia. A Justiça está atravessando um momento de instabilidade, mas isso é virtuoso: não leva a uma crise nem existe esse confronto entre Estado policial e Estado democrático. Quem diz isso tem visão ingênua dos fatos."

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