PF não monitorou gabinete de presidente do STF, diz Tarso

Ministro diz que acusação não passa de 'fofoca' e informou que vai pedir sindicância para apurar o fato

da Redação,

11 de julho de 2008 | 11h54

O ministro da Justiça, Tarso Genro, considerou absurda a suspeita de que a Polícia Federal monitorou o gabinete do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, conforme nota publicada nesta sexta-feira, 11, na coluna Painel, do jornal Folha de S. Paulo. Para Tarso, essa é mais uma informação que procura semear a discórdia entre o STF e a PF. "Tudo isso não passa de fofoca", afirmou o ministro da Justiça à rádio CBN. E acrescentou que pedirá a abertura de uma sindicância para apurar os fatos. Mendes foi quem determinou a soltura do banqueiro do Opportunity, Daniel Dantas, na última quarta.   Veja também: Pitta e Nahas deixam PF; Dantas volta Grampos: assessor de Lula agiu em favor de Dantas Dantas ofereceu suborno de US$ 1 milhão para escapar da prisão, diz MP Você concorda: não há mais intocáveis no País  Entenda como funcionava o esquema criminoso  Veja as principais operações da PF desde 2003  Entenda o nome da Operação Satiagraha, que prendeu Dantas   Tarso negou ainda que PF tenha fitas de vídeo gravadas no gabinete de Mendes com imagens de advogados de Dantas, e assessores do presidente do Supremo. O ministro diz que ligou para o juiz Fausto Martins de Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, que negou a acusação. Em seguida, Tarso diz que falou com Gilmar Mendes para informá-lo da negativa.   O banqueiro foi preso na última terça com o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, o megainvestidor Naji Hahas e mais 14 pessoas na Operação Satiagraha, que apura crimes como lavagem de dinheiro e corrupção. Um dia após a prisão, o banqueiro foi solto por determinação do presidente do STF, mas a PF voltou a prendê-lo na quinta.   O diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, também desmentiu escutas, segundo a CBN, mas, diferentemente de Tarso, disse que a acusação de monitoramento do gabinete de Mendes não merece apuração.   Método em discussão   Tarso disse ainda estar havendo preconceito de classe na discussão sobre o uso de algemas e as prisões de Dantas, de Nahas e de Celso Pitta pela PF. Os protestos sobre o procedimento das detenções ocorrem, segundo ele, porque envolvem "pessoas de grande importância política, com contatos em todas as agremiações políticas, abonadas, ricas".   Tarso destacou que as manifestações de indignação contra a forma das prisões da PF na operação Satiagraha, que preferiu chamar de "operação S", porque considera o nome de difícil pronúncia, não acontecem quando envolvem pessoas humildes. Citou como exemplo o vigilante da residência de Nahas que se recusou a abrir os portões aos agentes da PF e foi empurrado."Ninguém debateu até agora o empurrão no vigia. Será o vigia menos cidadão do que os poderosos algemados?", indagou.   O ministro da Justiça fez as declarações após participar da formatura de 300 novos policiais federais, na Academia Nacional de Polícia, em Brasília. Declarou esperar que os novos policiais atuem "aplicando a lei com rigor no combate à corrupção e ao crime organizado, sem distinção de classe social".   (Com Vannildo Mendes, de O Estado de S. Paulo)   Texto ampliado às 13h16

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