PF não encontra provas em inquérito contra Lacerda

Tarso já dissera que ele seria eximido de responsabilidade por grampo ilegal

Vannildo Mendes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

13 de janeiro de 2009 | 00h00

O anúncio antecipado da absolvição do delegado Paulo Lacerda, feito no domingo pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, em entrevista ao Estado, causou mal-estar na Polícia Federal. O inquérito só será concluído daqui a três semanas, mas o ministro já indicou que o ex-auxiliar será eximido de qualquer responsabilidade nos supostos grampos que captaram clandestinamente conversas do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, durante a Operação Satiagraha.Nos relatórios parciais produzidos até agora, os delegados William Morad e Rômulo Berredo, encarregados da investigação, alegam que não encontraram nenhuma prova da existência do grampo e de sua autoria. "A conclusão do inquérito da PF vai ser negativa sobre qualquer responsabilidade do dr. Lacerda", disse Tarso, convicto.O inquérito da PF, no entanto, não avançou na investigação do principal fator de desestabilização política do ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin): a cooperação ampla, mas secreta e à revelia da cúpula do órgão policial, de federais e arapongas. Essa parceria, cuja extensão foi negada por Lacerda em depoimento na CPI dos Grampos, foi a causa de sua queda.Por falta de provas, a PF deve sugerir à Justiça o arquivamento do inquérito. Como o áudio da conversa até agora não apareceu, nem sequer há evidência de que o grampo tenha sido feito. Pela praxe policial, segundo a qual "sem corpo, não há crime", tanto o ex-diretor da Abin como os agentes que ele cedeu à Operação Satiagraha devem sair inocentados do caso, a exemplo do que já ocorreu em sindicância do Gabinete da Segurança Institucional (GSI), divulgada no fim de dezembro.Desencadeada em julho, a Satiagraha desarticulou um esquema criminoso que seria comandado pelo banqueiro Daniel Dantas, acusado de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e sonegação de impostos. Foram presos na ocasião, além de Dantas, o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e o investidor Naji Nahas. A Abin cedeu mais de 70 agentes para ajudar na investigação, à revelia da direção da PF, o que acabou levando ao afastamento do delegado Protógenes Queiroz do caso, em meio a denúncias de vazamentos e ações ilegais, como o suposto grampo da conversa entre Gilmar e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). Mas após quatro meses de investigações, 130 depoimentos tomados e várias perícias em equipamentos e documentos, tudo que restou foi a palavra dos dois.

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