PF não divulgará íntegra da fita da reunião da Satiagraha

Apesar dos protestos no meio político e da curiosidade pública, a Polícia Federal não vai divulgar a íntegra da fita da reunião que selou a saída do delegado Protógenes Queiroz do comando do inquérito da Operação Satiagraha, que investiga o banqueiro Daniel Dantas e um grupo de acusados de crimes financeiros, corrupção e lavagem de dinheiro. A PF argumentou que os diálogos, gravados em mais de duas horas e meia de reunião entre Protógenes e a cúpula da polícia, contêm dados secretos de investigações policiais, algumas em curso.O diretor-geral interino da PF, delegado Romero Menezes, explicou que a revelação desses dados poderia causar danos indevidos à imagem de pessoas investigadas e prejuízos a várias investigações em curso. "Algumas questões discutidas estão protegidas inclusive por segredo de Justiça", explicou Menezes. Realizada na segunda-feira passada, na Superintendência de São Paulo da PF, a reunião foi toda gravada por determinação do diretor da Divisão de Combate ao Crime Organizado, Roberto Troncon, que a presidiu.Mas a PF só divulgou trechos selecionados da fita em que Protógenes, às vezes de forma constrangedora, admite ter cometido erros que desapontaram os colegas e a direção do órgão. Em outro trecho, de poucos segundos, ele também admite deixar o comando da investigação por decisão espontânea, para participar do curso superior de polícia em que está matriculado. Com a divulgação dos trechos, determinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a PF tentou afastar os rumores de que Protógenes foi afastado depois de pressões políticas.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.