PF não deve se intimidar em ano eleitoral, diz ministro

As investigações da Polícia Federal nas extintas Sudam e Sudene irão continuar mesmo que haja envolvimento de políticos, garantiu hoje o ministro da Justiça, Miguel Reale Júnior, durante encontro com os 27 dirigentes estaduais da PF. Eles receberam a orientação para trabalharem com cautela no período eleitoral, mas não se intimidarem. A Polícia Federal descobriu em Tocantins, uma relação com 55 projetos financiados pela Sudam que teriam vinculação com diversos parlamentares. O documento foi encontrado na residência do ex-superintendente da autarquia, José Artur Guedes Tourinho."Os políticos, por acaso, estão isentos da lei? Por acaso algum político, por ser político, e por ser ano eleitoral, estará isento de ser submetido à lei?", questionou Reale Júnior. Sem se referir ao episódio envolvendo a ex-governadora Roseana Sarney e o marido Jorge Murad, que tiveram o escritório vasculhado pela PF por ordem judicial, Reale Júnior afirmou que, caso se omita em apurar novas fraudes, a PF é quem estará cometendo um crime."Não há motivos para não continuar (as investigações) e se não continuarmos, estaremos prevaricando?, disse. Segundo o ministro da Justiça, a PF vai continuar trabalhando nos casos, mesmo com as pressões normais do período eleitoral. "Não sou eu que aceita, mas é a sociedade que não aceita. A sociedade quer que exista no processo uma absoluta isenção e imparcialidade para que a PF possa cumprir suas funções legais, sem que existam interpretações de que ela esteja protegendo ou isentando quem quer que seja?.A partir de hoje, parte das investigações sobre a Usimar Componentes Automotivos será deslocada para o Paraná. O delegado federal Hélbio Dias Leite, que assumiu a coordenação geral da apuração sobre as fraudes, vai começar a ouvir empresários do Estado sobre o empreendimento.A Usimar recebeu R$ 44 milhões da Sudam e não chegou a ser implantado. Jorge Murad é suspeito de ter interferido para que o projeto fosse aprovado, como aconteceu em uma reunião da Sudam, em dezembro de 1999, em São Luis, presidida por Roseana, quando era governadora.

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