PF não confirma "caixinha" na Sudam

A Polícia Federal não conseguiu confirmar a existência de um esquema de caixinha dentro da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), envolvendo o presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), como denunciou na semana passada a coletora da Secretaria de Fazenda em Paraíso do Tocantins, Eliana Pereira.Segundo ela, Romildo Onofre Soares - aliado político de Barbalho em Altamira (PA) - teria afirmado a empresários da cidade que 10% dos recursos dos financiamentos da Sudam seriam para o senador. Nenhuma das pessoas citadas por Eliana - os irmãos empresários Eudes e Eneuses Afonso Pereira e o ex-coletor de impostos de Paraíso do Tocantins, Luiz Antônio Barbosa de Carvalho - confirmou a denúncia. Carvalho, que foi o último a depor na PF, nesta terça-feira, negou ser amigo de Romildo, apesar de tê-lo encontrado mais de seis vezes. Na semana passada, o ex-coletor disse em uma entrevista coletiva que Romildo lhe dissera que era amigo de Barbalho. A PF não tinha expectativa de chegar a Barbalho, já que a própria coletora, ao prestar depoimento no final da semana passada, não citou o nome de Jader, depois de receber orientação superior para evitar falar do senador.As três pessoas citadas por Eliana como as interlocutoras de Romildo também afirmaram que, apesar de conhecer o empresário, não tinham contato maior com ele.De acordo com o depoimento de um empresário de Imperatriz (MA), as fraudes na Sudam têm ramificações em praticamente todos os Estados da região.O construtor José Sousa dos Santos disse que foi procurado por um grupo de empresários de Uruará (PA) interessado em participar do esquema.Mesmo tendo negado sua participação no caso, Santos foi envolvido nas fraudes pelos empresários, que falsificaram notas de sua empresa para justificar gastos de recursos recebidos da Sudam.O próprio empresário fez investigações por sua conta antes de procurar a PF, para prestar depoimento espontâneamente.

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