PF marca depoimentos sobre privatização da Telebrás

A Polícia Federal começa, na próxima semana, a marcar os depoimentos que serão prestados por pessoas que estiveram direta e indiretamente envolvidas no processo de privatização do Sistema Telebrás, em julho de 1998, principalmente os diretores dos fundos de pensão dos funcionários do Banco do Brasil (Previ), da Petrobras (Petros), da Caixa Econômica Federal (Funcef), e da Telebrás (Sistel).Em nota divulgada nesta quarta-feira, a assessoria da PF no Rio esclarece que a Delegacia de Combate ao Crime Organizado e Inquéritos Especiais (Delecoie) já está de posse do relatório contendo a quebra de sigilo fiscal dos últimos cinco anos de Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-diretor da área Internacional do Banco do Brasil.A quebra do sigilo foi solicitado à Justiça pelo Ministério Público Federal de Brasília. Ricardo Sérgio está sendo investigado pela polícia em função de acusações de que teria pedido ao empresário Carlos Jereissati uma ?comissão? de R$ 90 milhões para convencer fundos de pensão a integrarem o consórcio que acabou comprando a Tele Norte Leste (hoje Telemar) durante leilão de privatização do Sistema Telebrás.O inquérito aberto pela Polícia Federal, em 1999, apura, além do pedido de propina de Ricardo Sérgio, também o comprometimento dos fundos de pensão, que teriam simulado operações de empréstimos para disfarçar o efetivo financiamento dos participantes do consórcio que comprou a Telemar. Por lei, os fundos de previdência privada não podem atuar como agentes financeiros, o que caracterizaria crime do ?colarinho branco?. Além desse inquérito da PF, que está sob a responsabilidade da delegada Patrícia de Freitas, Ricardo Sérgio está respondendo processo civil , na 16ª Vara Federal do Rio, por improbidade administrativa. Também respondem ao mesmo processo os ex-presidentes e ex-diretores do BNDES, Luiz Carlos Mendonça de Barros, André Lara Resende, José Pio Borges. O ministro da Casa Civil, Pedro Parente, que na época da privatização era titular do Ministério de Orçamento e gestão também está no mesmo processo.Os fundos de pensão Previ, Funcef, Sistel, Petros (dos funcionários da Petrobras) e Telos (Embratel), que estavam sendo investigados em conjunto, passaram a ter inquéritos separados, a pedido do procurador da República no Rio, Eduardo André. O objetivo é cruzar as informações apuradas pela polícia e os dados contidos nos relatórios produzidos pela SPC (Secretaria de Previdência Complementar) nos fundos de pensão. Ricardo Sérgio Oliveira também teria pedido propina para atrair investidores para a privatização da Companhia Vale do Rio Doce, em 1997.

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