PF manda delegado ao Paraná ouvir ex-diretor de Itaipu

A Polícia Federal mandou nesta segunda-feira ao Paraná o delegado Pedro Ribeiro Alves para tomar o depoimento do advogado Roberto Bertholdo, ex-diretor de Itaipu Binacional, acusado de envolvimento com o mensalão. Preso desde novembro passado por lavagem de dinheiro, tráfico de influência, compra de sentença e grampo ilegal contra um juiz, Bertholdo revelou, conforme reportagem da última edição da revista Veja, ter participado do esquema de captação de propina na estatal para distribuição entre mensaleiros do PMDB. Com base em investigações, a PF levantou que Bertholdo seria homem de confiança do ex-líder do PMDB na Câmara, José Borba (PR), que renunciou ao mandato para se livrar de processo de cassação. Também hoje, a PF ouviu o ministro do Turismo, Walfrido dos Mares Guia, acusado de ter entregue R$ 507 mil para o caixa 2 da campanha do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) ao governo de Minas em 2002. Segundo a assessoria do ministro, Mares Guia fez um empréstimo de R$ 507 mil a Azeredo para o ex-governador saldar uma dívida com um de seus coordenadores de campanha, Cláudio Mourão. Mais tarde o cheque teria sido depositado na conta do publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza, mas sem o conhecimento do ministro.Atraso no relatórioEm função desses novos fatos, a PF retardou a entrega ao Supremo Tribunal Federal (STF) do relatório do inquérito do mensalão, que deveria ter ocorrido ontem. Com permissão do procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, a entrega deverá ser feita hoje ou amanhã. No relatório, a PF pedirá mais prazo para concluir as investigações, mas o Ministério Público pode entender que já há elementos para oferecer denúncia contra os envolvidos e encerrar o inquérito. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu estão livres de imputação. Mas entre os investigados, mais de 40 pessoas estão relacionadas por suspeita de cometimento de crimes como lavagem de dinheiro, sonegação de impostos, remessas ilegais, corrupção e caixa 2. Entre elas, há pelo menos 18 parlamentares, operadores do mercado financeiro, empresários e servidores públicos. Caso o STF concorde com a prorrogação de prazo, a PF pretende concluir o inquérito até junho.Nessa hipótese, será aprofundada a pista que leva ao caixa 2 do PMDB, que seria comandado pelo ex-deputado Borba. A PF também pretende aprofundar as investigações sobre o envolvimento de servidores públicos, sobretudo do Banco do Brasil e dos Correios, com a rede de corrupção, operada pelo empresário Marcos Valério de Souza, que produziu o mensalão. A base dessa investigação é a sindicância que está sendo concluída pelo Tribunal de Contas da União (TCU) sobre os contratos do BB e da ECT.

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