PF leva computadores da Casa Civil para perícia

Além da apreensão, delegado foi ao Planalto para levantar informações sobre o funcionamento do setor de onde partiram dados do dossiê

Felipe Recondo e Fausto Macedo, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

09 de abril de 2008 | 00h00

A Polícia Federal apreendeu ontem os seis computadores da Casa Civil que teriam sido usados para montar o dossiê sobre os gastos com cartões corporativos e contas B do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e da ex-primeira-dama Ruth Cardoso. Os cinco laptops e um computador de mesa serão periciados pela Superintendência Regional da PF de Brasília, com o apoio técnico do Instituto Nacional de Criminalística (INC). Nunca a PF chegou tão perto do gabinete ocupado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma investigação.Além da apreensão dos computadores, o delegado responsável pelo inquérito, Sérgio Menezes, foi ao Palácio do Planalto para levantar informações básicas sobre o funcionamento do setor de onde partiram informações que alimentaram o dossiê. O delegado queria, basicamente, saber quem tinha acesso aos computadores, que tipo de informações passavam pela área e como eram armazenadas.Menezes foi ao Palácio do Planalto à tarde, na companhia de agentes, para os primeiros passos do inquérito, aberto anteontem, 15 dias depois de divulgados as primeiras informações do dossiê. Os computadores estavam na sala-cofre do Palácio do Planalto desde que a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, anunciou que haveria uma perícia nas máquinas pelo Instituto Tecnologia de Informação (ITI), ligado à própria pasta. Com a análise dos discos rígidos, a Polícia Federal tentará identificar quem formatou o documento, quem alimentou o arquivo com as informações, buscará dados da preparação do dossiê, como data e hora, e espera chegar ao funcionário responsável pelo vazamento das informações sigilosas.Menezes não informou quais serão os próximos passos do inquérito. De acordo com a assessoria da PF, até ontem não havia depoimentos marcados. RESTRIÇÕESApesar da insistência do governo em apurar somente o responsável pelo vazamento do dossiê, Menezes mostrou-se incomodado com as notícias de que a investigação será limitada. E já avisou que, ao contrário do que foi divulgado por integrantes do governo, a sua apuração não terminará com a simples identificação do responsável pela divulgação das informações.Quando chegar ao servidor, avisou, vai interrogá-lo e questionar quem fez o dossiê, por que ele foi divulgado, a mando de quem e com que finalidade. Apesar de o ministro da Justiça, Tarso Genro, dizer que a apuração seria limitada, no caso de o delegado se deparar com alguma outra irregularidade, terá a obrigação legal de investigá-la ou pode ser acusado pelo crime de prevaricação. Na investigação do dossiê Vedoin, montado para prejudicar a candidatura de José Serra ao governo de São Paulo, por exemplo, o delegado responsável pelo inquérito, Diógenes Curado, não deu por encerrada a investigação quando identificou os responsáveis pela papelada. Nos interrogatórios, ele insistia na pergunta de quem fora o mandante. Ao final, o delegado chegou a indiciar o senador Aloizio Mercadante (PT-SP), decisão derrubada posteriormente, por unanimidade, no Supremo Tribunal Federal (STF).A dificuldade para limitar as investigações foi uma das razões que levaram o governo a temer a entrada da PF no caso. Esse receio fez o governo defender a tese de que apenas o vazamento dos dados constitui crime e, portanto, somente esse fato deveria ser objeto de análise. Para internautas, Polícia Federal deve apurar autorDas 524 pessoas que participaram da enquete, 417 disseram que a Polícia Federal não deve investigar apenas o vazamento do dossiê80% NÃO20% SIM

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.