PF leva ao STF lista de parlamentares com assessores presos

O diretor regional executivo da Polícia Federal (PF) em Cuiabá (MT), delegado Tardeli Boaventura, informou nesta quinta-feira que encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF), à Câmara dos Deputados, ao Senado e à Procuradoria Geral da República os nomes de todos os deputados e senadores cujos assessores foram presos por envolvimento com a quadrilha que desviava dinheiro público em licitações fraudulentas para fornecimento de ambulâncias às secretarias de Saúde de vários municípios.O delegado, que comandou a Operação Sanguessuga, na qual foram presos 46 acusados, está em Cuiabá e deu entrevista por viva-voz a jornalistas reunidos em Brasília na sede da Polícia Federal. Segundo Boaventura, os nomes dos parlamentares são citados pelos assessores nas conversas que a PF gravou com autorização da Justiça. O delegado explicou que não pode informar os nomes dos parlamentares, porque não há provas contra eles. Explicou também que enviou os nomes ao STF, ao Congresso e à Procuradoria Geral para que tomem as providências cabíveis, porque a PF não pode investigar parlamentares sem autorização do Supremo.PresosEntre os assessores presos estão os que prestavam serviço aos parlamentares Vieira Reis (PRB-RJ), Nilton Capixaba (PTB-RO), Maurício Rabelo (PL-TO), Ney Suassuna (PMDB-PB), Elaine Costa (PTB-RJ), Edna Macedo (PTB-SP), João Mendes (PL-RJ) e pastor Pedro Ribeiro (PMDB-CE).A quebra de sigilo bancário e telefônico, obtidas pela Polícia Federal, confirmaram a participação desses assessores no esquema para a liberação de emendas prevendo a aquisição de ambulâncias superfaturadas para os municípios.Além deles, foram presos os ex-deputados Bispo Rodrigues, que renunciou no caso do mensalão, e Ronivon Santiago, um dos acusados de vender o voto para aprovar a emenda da reeleição do então presidente Fernando Henrique Cardoso.FraudeA fraude beneficiou a empresa Planam, do Mato Grosso, pertencente ao empresário Darci José Vedoin, que está preso. De acordo com as investigações, a funcionária do Ministério da Saúde, Maria da Penha Lino, que trabalhou na Planam, ajudou no esquema. No Ministério, ela é responsável pela aprovação de projetos pleiteando convênios com o governo federal apresentados pelas prefeituras.O esquema consistia em superfaturar veículos por meio de de dispensa de licitação, já que os valores eram fragmentos para que ficassem abaixo de R$80 mil. Dessa forma foi possível fazer cartas-convites para a Planam e para outras empresas fantasmas, que apresentavam valores ainda mais altos do que a empresa matogrossense.

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